A FENPROF convocou uma greve para os professores envolvidos nas provas-ensaio promovidas pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), a partir da próxima segunda-feira, dia 10 de fevereiro. A paralisação abrangerá todas as atividades relacionadas com estas provas, incluindo secretariado, vigilância e classificação.
A federação sindical justifica esta decisão com a oposição ao novo modelo de provas de aferição, que considera uma reintrodução disfarçada dos exames finais de ciclo implementados durante o mandato de Nuno Crato.
Segundo a FENPROF, esta medida contraria o percurso adotado pelos ministros Tiago Brandão Rodrigues e João Costa, que mantiveram apenas as provas do 9.º ano sem as eliminar completamente.
No programa, o atual governo prevê a aplicação destas provas no final de cada ciclo do ensino básico, com a divulgação nacional dos seus resultados, algo que, segundo a FENPROF, poderá levar à publicação de rankings escolares.
A federação critica ainda a forma como o processo está a ser conduzido, considerando que as provas-ensaio configuram um atentado à dignidade docente e impõem uma sobrecarga adicional aos professores.
Uma das principais críticas da FENPROF prende-se com o documento enviado às escolas pelo Júri Nacional de Exames, intitulado “Guia para a realização das provas-ensaio”. Nele, é exigida a constituição de “secretariado de exames” e a designação de vigilantes e classificadores, reforçando o caráter de exame destas provas. Além disso, a federação contesta a constituição da “bolsa solidária de professores classificadores”, que obriga os docentes a assumir a correção das provas sem que tenham sido consultados.
Face a esta situação, a FENPROF anunciou a entrega de pré-avisos de greve, que entrarão em vigor no primeiro dia das provas, com o objetivo de contestar o que considera ser um novo abuso da administração educativa sobre a classe docente.