O município de Góis assinalou, este sábado, os 52 anos da Revolução dos Cravos com uma sessão evocativa do 25 de Abril marcada por discursos centrados na defesa dos valores democráticos, na valorização do poder local e nos desafios que se colocam ao interior do país.
Na cerimónia, o presidente da Assembleia Municipal de Góis, Nuno Baeta, destacou o simbolismo da data, sublinhando que o 25 de Abril “não pertence apenas à História”, mas permanece vivo “em cada escolha feita sem medos, com responsabilidade e com liberdade”. Na sua intervenção, evocou também os 50 anos da Constituição da República Portuguesa de 1976 e o papel fundador do poder local democrático, lembrando as primeiras eleições autárquicas livres como um marco decisivo para a participação dos cidadãos.
Dirigindo-se particularmente aos jovens, Nuno Baeta apelou ao envolvimento cívico das novas gerações, defendendo que a liberdade “não é um dado adquirido, é uma tarefa permanente”. O responsável deixou ainda uma mensagem sobre a exigência do exercício de funções públicas, sublinhando que os cargos autárquicos devem ser entendidos como serviço e não como lugares de conforto.
No plano local, reconheceu o trabalho do atual executivo municipal, destacando a resposta dada, nos últimos meses, a situações como incêndios, cheias e tempestades, ao mesmo tempo que apontou a necessidade de uma atuação mais célere por parte da administração central e defendeu uma reforma do Estado que combata a burocracia e incentive o desenvolvimento dos territórios do interior.
Outro dos temas centrais da sua intervenção foi o envelhecimento e o apoio à população idosa. Nuno Baeta alertou para a necessidade de maior resposta social e política nesta área, defendendo que cuidar dos mais velhos é “um imperativo de justiça e humanidade”.
O presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, afirmou que o 25 de Abril representa “não apenas uma data, mas uma conquista que moldou o destino de um povo”, recordando que a revolução “foi muito mais do que uma mudança política; foi um gesto coletivo de emancipação depois de 41 anos de opressão”.
Sublinhando o impacto da democracia, o autarca afirmou que “Abril ensinou-nos que a liberdade não se encerra num decreto, mas renova-se todos os dias”, acrescentando que, em Góis, “a liberdade tomou corpo em comunidades que aprenderam a decidir o seu futuro”.
Apesar dos avanços, Rui Sampaio apontou desafios persistentes, como o envelhecimento da população, a desertificação do interior e a falta de oportunidades para os jovens. Defendeu, por isso, que “as promessas de Abril não se esgotaram” e que a liberdade implica também “igualdade de acesso, desenvolvimento sustentável e coesão territorial”, recusando olhar para os concelhos do interior “como zonas remotas, mas como territórios essenciais à diversidade e ao equilíbrio nacional”.
Numa referência ao contexto internacional, sustentou que “torna-se ainda mais urgente afirmar o valor da democracia, da liberdade e da humanidade”, lembrando que “a liberdade exige coragem, a democracia exige vigilância, e a paz só se constrói com respeito e solidariedade”.
Sobre o futuro do concelho, Rui Sampaio defendeu que “o futuro de Góis — e de Portugal — depende hoje da capacidade de continuar o caminho iniciado há meio século”, apontando como prioridades “apostar na inovação sem perder autenticidade, promover o turismo sustentável, valorizar os saberes locais e criar oportunidades educativas e profissionais que permitam fixar população”.
As comemorações em Góis ficaram assim marcadas por uma reflexão conjunta sobre o passado, os desafios do presente e a responsabilidade de preservar e aprofundar os valores conquistados com a Revolução de 1974.