O anúncio de um cessar-fogo no Irão teve um impacto imediato nos mercados energéticos, provocando uma queda acentuada nos preços do gás e do petróleo. O gás recuou cerca de 20%, enquanto o petróleo registou uma descida próxima dos 17%, numa das correções mais expressivas dos últimos tempos.
O barril de Brent, que tinha atingido os 110 dólares após um ultimato do ex-presidente Donald Trump, desceu para valores próximos dos 90 dólares. Apesar de uma ligeira recuperação entretanto, o preço mantém-se entre os níveis mais baixos do último mês.
Ainda assim, especialistas alertam que este alívio pode não ser suficiente para afastar riscos económicos mais amplos. Catarina Castro, analista de mercados, sublinha que a evolução futura dependerá dos próximos desenvolvimentos geopolíticos e das decisões que venham a ser tomadas. Segundo a analista, um valor abaixo dos 80 dólares por barril seria determinante para reduzir a pressão sobre uma eventual subida das taxas de juro.
Com o Brent ainda na casa dos 90 dólares, esse cenário permanece distante. A próxima reunião do Banco Central Europeu está agendada para daqui a três semanas, e até lá os mercados poderão continuar voláteis.
A incerteza mantém-se, sobretudo devido à fragilidade do cessar-fogo. Catarina Castro destaca que a continuidade de bombardeamentos e a instabilidade regional colocam em causa a solidez do acordo, podendo influenciar novamente os preços da energia.
Apesar da descida recente, o petróleo continua significativamente acima dos níveis anteriores ao conflito. Antes da guerra, as previsões apontavam para valores na ordem dos 60 dólares por barril. João Duque, economista, refere que, comparando com esse período, os preços atuais ainda estão cerca de 30% mais elevados.
Para os consumidores, a descida do petróleo poderá traduzir-se numa redução dos preços dos combustíveis, embora menos acentuada. Especialistas alertam que a queda não deverá refletir-se de forma proporcional nas bombas, afastando a possibilidade de reduções na ordem dos 15% a 20%.
O impacto final permanece incerto e dependerá, em grande medida, da evolução das próximas horas, consideradas críticas para o desenrolar das negociações. Para já, a tendência aponta para uma descida dos preços, ainda que mais gradual do que a subida anteriormente registada.
Além disso, medidas como o desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) têm contribuído para mitigar os aumentos, o que poderá também limitar a dimensão de eventuais descidas no curto prazo.