O Projeto Floresta da Serra do Açor foi distinguido com o Prémio Nacional da Paisagem 2025, entregue a 3 de dezembro, ao presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, pelo Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, numa sessão realizada na Direção-Geral do Território, em Lisboa.
Em nota enviada à Beira Digital TV, Luís Paulo Costa revela-se “verdadeiramente honrado com a distinção e privilegiado por fazer parte de um projeto inspirador, com tamanho impacto e capacidade de valorizar e transformar a paisagem que faz parte da identidade do concelho de Arganil”.
Em execução desde 2021, o projeto intervenciona 2.500 hectares de terrenos baldios afetados pelo incêndio de 2017, prevendo a plantação de 1,8 milhões de árvores autóctones num plano de 40 anos.
O modelo colaborativo envolve o Município de Arganil, o Grupo Jerónimo Martins — que financia 5 milhões de euros através de mecenato ambiental —, a Escola Superior Agrária de Coimbra, responsável pela componente científica e pelo desenvolvimento dos modelos de silvicultura, garantindo o acompanhamento técnico de todas as operações, bem como as 11 comunidades locais, cujos baldios são geridos pela F.S.A. – Floresta da Serra do Açor – Associação.
Apresentado como mais do que uma ação de reflorestação, o projeto é apontado como exemplo nacional de resiliência, sustentabilidade e planeamento florestal, sendo considerado um modelo replicável noutros territórios.
Para Luís Paulo Costa, projeto Floresta da Serra do Açor “demonstra que é possível olhar em frente com confiança, construindo medidas de fundo que reforcem a resiliência do nosso território e protejam pessoas e bens”. Trata-se, acrescenta, de um “investimento sério, consistente e inspirador, concebido para deixar um legado duradouro às gerações futuras, tornando-se um verdadeiro símbolo de resiliência e de confiança no futuro”.
o Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território felicitou o Município de Arganil pela conquista do prémio e destacou o alcance transformador da iniciativa. “Estamos a devolver a esperança não só a Arganil como a todos os que possam replicar este projeto nos seus territórios”.
Referiu ainda que “o que a Câmara Municipal de Arganil encontrou neste projeto foi a capacidade de juntar todos, de chamar todos, para em conjunto encontrarmos soluções de sucesso”, evidenciando o caráter colaborativo que esteve na base da distinção.
O governante abordou igualmente os desafios estruturais do concelho, lembrando que “no caso de Arganil estamos a falar de um território em que os fatores económicos são mais difíceis. Se conseguirmos trazer economia ao território, como a Câmara Municipal fez — envolvendo os compartes, envolvendo as pessoas, envolvendo a Jerónimo Martins — estamos a dotar esta área de fatores económicos que podem fazer com que alguns jovens fiquem no território.”
A atribuição do Prémio Nacional da Paisagem reforça o caráter pioneiro do projeto, que poderá ainda representar Portugal no Prémio da Paisagem do Conselho da Europa.
O incêndio de agosto de 2025 testou a resiliência do modelo, afetando 100 hectares reflorestados, mas a regeneração vegetativa rápida e taxas de sobrevivência entre 50% e 80% confirmaram a robustez das espécies autóctones usadas — carvalhos, bétulas, sobreiros, medronheiros e castanheiros — cuja diversidade contribui para uma floresta mais estável, resistente ao fogo, às pragas e às alterações climáticas.