A Câmara Municipal da Lousã manifestou a sua discordância relativamente à manobra de fogo tático realizada no dia 17 de agosto de 2025, no âmbito do incêndio rural que teve início na aldeia do Candal.
Em comunicado enviado ao Beira Digital TV, a autarquia refere que, desde que teve conhecimento da operação, expressou a sua oposição por considerar que esta foi executada numa área onde não se justificava e em condições meteorológicas desfavoráveis — com vento, temperaturas elevadas e baixa humidade —, aumentando assim o risco de projeções. Segundo o município, essas projeções acabaram por acontecer, exigindo o reforço de meios terrestres e aéreos que, por isso, não puderam ser mobilizados para outros focos de incêndio, contribuindo também para a expansão da área ardida e para várias reativações nos dias seguintes.
A operação decorreu na cumeada entre a EN236, na zona da Fonte Fria, e o Parque Eólico, afetando terrenos baldios do Candal, Cerdeira e Catarredor, bem como do Casal do Catarredor. O fogo destruiu cerca de 300 hectares de floresta, incluindo zonas de nascentes consideradas essenciais para o abastecimento das localidades próximas.
Perante a gravidade da situação, a Câmara Municipal da Lousã anunciou que vai solicitar formalmente a consulta da “fita de tempo” da ocorrência, com o objetivo de apurar responsabilidades. A autarquia admite ainda ponderar a adoção de procedimentos legais.
Com esta posição pública, o município reafirma o compromisso de “defender o território, os seus recursos naturais e as populações”.