Bem, hoje trago-vos “repúdio” acompanhado com um pouco de “desdém” e envolvido com uma pitada de “repulsa”. Acho que fui claro!
Tudo isto está relacionado com o dia em que fui abraçado um vírus bully opressor, mais conhecido por Gripe AAAAAHHHHH! Eu digo Gripe AAAAAHHHHH porque é assim que me sinto após estas extensas duas semanas.
Sejamos francos, antigamente, as gripes eram mais amigáveis, não acham? Era estarmos embrulhados com uma mantinha no sofá, com a TV a transmitir os nossos filmes preferidos e um chazinho. Máscara cirúrgica? Mas eu vou operar alguém? Álcool gel? Mas agora os bêbados já possuem o seu próprio gel capilar? Ninguém falava destes adereços porque, como eu frisei anteriormente, as nossas gripes eram amigáveis.
Mas estas gripes de agora são de outro nível! Parece que naquela altura, eles tinham apenas o 9ºano e agora, detém doutoramento em bullying gripal. Ora vejam:
Na semana que deixei entrar este imbecil no meu organismo, eu tinha combinado um lanche com uns amigos que vinham de Lisboa na minha casa. Mas os arrepios que sentia junto com uma temperatura mediana de 39.5C, fez-me duvidar se seria sensato estar entre entes. Sim… eu gosto de conviver com entes. Por isso, pedi à minha amável esposa que pudesse comprar um teste de Covid-19. Quando fui realizar o teste, deparei-me não com 1, mas com 3 testes em 1 — um três em um. Eu não sabia se deitava uma lágrima, porque estava já à mão de semear ou se enfiava aquela vareta pela narina acima. Preferi a vareta. Mal pinguei o dito líquido gósmico nos três quadradinhos, peguei logo no mapa que vinha dentro da caixa para descobrir os resultados. Sim… para mim era um mapa da descoberta. “Se tiver um risco no C é isto… se tiver um risco no C e no A é cozido… e se tiver o alfabeto todo riscado, estás frito.” E lá está… após uma 1 hora a tentar descobrir se tinha ganho ou não, descobri que tinha sido infetado pelo vírus Influenza A. Não sei quem me influenciou…, mas categoria é A… ou melhor, AAAAAHHHHH!
Fiquei sem o convívio dos meus entes, como era de calcular. Ou seja, se tens Gripe A, ela fará com que te isoles socialmente. Raios.
Mas não fica por aí. Esta besta retirou-me o olfato e o paladar, e o bem mais preciso que eu tinha — cativou a fome, deixando-me apenas ingerir líquidos. Energúmeno.
Como não se vislumbrava uma melhora significativa, decidi contactar o SNS24. Após belas melodias e pausas a avisar-me que iria ser atendido, uma senhora enfermeira que me atendeu, decidiu marcar uma consulta no mesmo dia para que um médico me examinasse. Ponto de situação: histórico! Até fiz inveja a algumas velhotas que ainda não conseguiram uma consulta este ano. Bom. Após uma análise profunda a médica teceu as seguintes palavras:
— Senhor André, tome paracetamol e descanse!
Na minha mente, o que eu ouvi foi “aguenta que isso sai”. Sai? Quer dizer, alojou-se no meu organismo um ocupas e ninguém faz nada? “Toma um paracetamol para não sentires muito os sintomas”. MAS ELE ESTÁ DENTRO DE MIM! EU QUERO ELE SAIA! Ele depois sai? Ele roubou o meu olfato, Doutora! Nem um peido consigo cheirar! E o paladar? E a fome? Este vírus está no “bem bom” dentro de mim, e eu estou ao relento. Enviem a polícia, se faz favor!
Cheguei ao ponto de dizer: “Volta Covid, estás perdoado”, que na minha opinião, era um bom inclino. Já este ocupas é um delinquente!
Seja como for, embora o último teste que fiz prova que este imundo e putrefato vírus já foi detido, e possivelmente, evacuado por mim, eu ainda tenho sintomas. Parece que ele andou a grafitar as paredes do meu estômago, a picar as paredes da minha garganta e a nadar no interior dos meus intestinos. Mas isto não ficará assim. Da próxima vez que eu encontrar um indivíduo com a Gripe A, levo-o de imediato ao tribunal mais próximo e vou dizer: “Meus senhores, dentro deste sujeito encontra-se o Manuel Palito dos ocupas. Peço uma audiência, se faz favor”.
Mas pensando melhor, para isso iria precisar de um advogado… neste caso, licenciado em chalupice avançada… e ainda por cima, com grande possibilidade, as custas judiciais seriam um pires de tremoços. Opá, fica para a próxima. Cuidem-se!