O número de penas e medidas com vigilância eletrónica associadas a casos de violência doméstica aumentou mais de 222% na última década e representa atualmente cerca de 60% do total de pulseiras eletrónicas em Portugal.
Segundo dados da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), existiam 513 pulseiras eletrónicas em 2016. No final de 2025, esse número subiu para 1.655, mantendo uma tendência de crescimento ao longo dos últimos anos.
O relatório aponta que o aumento está relacionado com o reforço das medidas de prevenção e combate à violência doméstica, sobretudo a partir de 2019. No final de abril deste ano estavam ativas 1.653 medidas de vigilância eletrónica.
O distrito do Porto lidera o número de casos ligados a violência doméstica, com 346 pulseiras eletrónicas, seguido de Lisboa, Braga e Setúbal. Guarda, Coimbra e Mirandela também registam valores acima das cem medidas em vigor.
A utilização da vigilância eletrónica aumentou igualmente noutras áreas, incluindo penas de prisão domiciliária. Neste caso, o crescimento foi superior a 690% em comparação com 2016.
Os dados mostram ainda um aumento do número de reclusos por violência doméstica nas cadeias portuguesas. Em 2025, cerca de 9% dos presos estavam associados a este tipo de crime.