O Município de Vila Nova de Poiares celebrou o 52.º aniversário do 25 de Abril com um programa completo e recheado de atividades e iniciativas, sendo que o ponto alto aconteceu com a ‘tradicional’ sessão solene no Auditório do Centro Cultural de Poiares, reunindo entidades oficiais, representantes políticos e a comunidade local, num momento de evocação dos valores da liberdade e da democracia.
A sessão iniciou com um momento musical, com a interpretação do tema “Canção sem Final”, por Maria Caetano, logo seguida dos discursos institucionais.
O Presidente da Assembleia Municipal, Vítor Silva, abriu a ‘ronda de discursos’, sublinhando que a liberdade e a democracia exigem um compromisso diário, assente no exercício responsável dos direitos e deveres cívicos. Alertou para a necessidade de vigilância face a fenómenos como o populismo, a corrupção e o extremismo, defendendo uma liderança política ética, preparada e responsável, capaz de promover o diálogo e respeitar a pluralidade.
Em representação do Partido Socialista, Tânia Marques destacou o 25 de Abril como um dever de memória e um compromisso com o futuro, alertando para os riscos atuais associados à desinformação, ao crescimento de movimentos extremistas e à erosão das instituições democráticas. Sublinhou que a defesa da democracia passa pela ação, transparência e proximidade às pessoas.
Afonso Lindão, eleito pelo grupo de cidadãos eleitores PRS – Poiares a Sério, refletiu sobre o papel das novas gerações na preservação da liberdade, a mesma que permitiu que cidadãos comuns se organizassem, se apresentassem a eleições e conquistassem, de forma legítima, a confiança da população. Reforçou que desvalorizar, diminuir ou tratar com desrespeito essa escolha não fragiliza quem foi eleito — fragiliza a própria democracia. Porque, na sua opinião, quando se questiona a legitimidade de quem resulta da vontade popular, está-se, no fundo, a desvalorizar aquilo que Abril nos deu.
Pelo PSD, Nuno Rocha alertou para o que chamou de “analfabetismo funcional” na era da informação, onde as pessoas sabem ler e escrever, mas não compreendem ou interpretam textos, julgando-se capazes de o fazer, e abordou ainda a desvalorização da exigência e da preparação na vida política.
Nuno Neves defende uma “política ao serviço das pessoas”
O encerramento coube ao Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares, Nuno Neves, que destacou o 25 de Abril como um marco decisivo na conquista da liberdade e da autodeterminação nacional, lembrando que “o povo é quem mais ordena”. Sublinhou que celebrar Abril é, sobretudo, assumir uma responsabilidade presente na construção de uma sociedade mais justa, participativa e solidária.
O autarca deu especial enfoque à liberdade de associação como uma das grandes conquistas da Revolução, valorizando o papel fundamental das associações locais, culturais, desportivas e sociais, enquanto pilares da coesão comunitária e expressão viva da participação democrática. Reconheceu o contributo de todos os que, de forma voluntária, fortalecem o tecido social do concelho, tornando-o mais próximo e solidário.
Destacando uma visão de política assente na proximidade, transparência e independência, recordou o seu percurso enquanto presidente eleito por um movimento de cidadãos, afirmando que a política só faz sentido quando está verdadeiramente ao serviço das pessoas e livre de interesses particulares.
Nuno Neves referiu ainda o contexto recente marcado pela tempestade Kristin, enaltecendo a resposta dos bombeiros, proteção civil, forças de segurança, juntas de freguesia, trabalhadores municipais e cidadãos, cujo espírito de solidariedade evidenciou a força da comunidade poiarense.
Na sua mensagem final, reforçou que o 25 de Abril deve ser vivido como um compromisso diário com a liberdade, a responsabilidade e a ação, apelando à participação cívica, à valorização do território e à centralidade das pessoas nas decisões públicas, como forma de honrar os valores de Abril e construir um concelho mais forte, justo e coeso.
Após a sessão, teve lugar a deposição de uma coroa de flores no monumento de homenagem aos combatentes da Guerra do Ultramar, na Alameda de Santo André, acompanhada pela Filarmónica Fraternidade Poiarense.
As comemorações encerraram com o concerto “Inquietação”, por Maria Caetano, à voz e piano.
Refira-se que o programa das Comemorações do 52º Aniversário do 25 de Abril era bastante completo e tinha já iniciado no dia 23, com a entrega do livro “O Meu Município e Eu” aos alunos do 5º, 6º e 7º anos de escolaridade, uma edição da Associação Nacional de Municípios Portugueses, que assinala também os 50 anos do Poder Local Democrático em Portugal.
No dia 24, Poiares recebeu o final da segunda etapa do 14º Grande Prémio de ciclismo O Jogo no Largo Dr. Daniel de Matos e, à noite, houve ainda lugar para a peça de teatro “Silêncios”, pela classe de adolescentes da CTEP – Companhia de Teatro Experimental de Poiares. A programação apenas se concluiria no dia 26 com a exibição do documentário “Onde está o Zeca”, no CCP, numa atividade dos “Cinéfilos de Poyares”.