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Vídeo| Região de Coimbra reforça prevenção de incêndios e intervenciona mais de 900 km de rede florestal

Prevenção de incêndios em Góis @BDTV

A região metropolitana de Coimbra está a intensificar os trabalhos de prevenção de incêndios rurais, com uma forte aposta na limpeza e desobstrução da rede viária florestal, na sequência dos incêndios de 2025 e dos danos provocados pela depressão Kristin.

De acordo com os dados apresentados por Luís Pita, do ICNF, cerca de 12.875 hectares de área florestal foram afetados, num território onde a floresta representa mais de 60% da área total. Até ao momento, já foram desobstruídos aproximadamente 590 quilómetros de rede viária, estando ainda 146 quilómetros em execução e 178 planeados, o que deverá perfazer um total de cerca de 914 quilómetros intervencionados, nos concelhos de Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Góis, Lousã, Penela, Figueira da Foz e Condeixa.

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O responsável destacou que estes resultados são fruto de uma “excelente colaboração” entre entidades como o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra e os municípios, sublinhando que “sem esta articulação os resultados não teriam sido possíveis”.

No concelho de Góis, em Aigra Nova, já foram intervencionados cerca de 400 quilómetros da rede viária florestal. O presidente da Câmara Municipal, Rui Sampaio, explicou que o foco está na prevenção e na preparação do território para o verão.

“Aquela zona foi muito afetada pelos incêndios de 2025 e houve muitas árvores derrubadas”, afirmou, acrescentando que foi necessário desobstruir caminhos e estradas florestais para garantir segurança e acessibilidade. Atualmente, “temos 80% da rede viária que foi impactada desobstruída”, referiu.

O autarca salientou ainda que este trabalho resulta de um esforço conjunto entre várias entidades, classificando o concelho como “um município exemplar pelo trabalho que tem efetuado” na área da gestão florestal.

Também presente na iniciativa, o Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, destacou a importância da articulação entre organismos públicos e privados. “Foi muito positivo o trabalho estruturado e articulado entre as várias entidades”, afirmou, apontando a necessidade de definir prioridades face à dimensão do problema.

O governante reconheceu que não será possível eliminar todo o material combustível antes do período crítico: “É impossível remover todo o material”, defendendo, por isso, a intervenção nas zonas mais críticas.

Nesse sentido, deixou um apelo direto à população: “Cada cidadão, cada proprietário, que assuma as suas responsabilidades”, incentivando à limpeza dos terrenos. Para apoiar esse esforço, foi criado um mecanismo de incentivo financeiro que pode ir até 1.500 euros por proprietário.

Os técnicos alertam que o material lenhoso resultante da tempestade aumenta significativamente o risco de incêndio. Luís Pita explicou que, embora os fogos possam ser mais lentos devido ao material estar no solo, serão “mais difíceis de apagar”, o que levanta desafios adicionais para os operacionais no terreno.

A principal preocupação passa pela segurança, nomeadamente ao nível da progressão no terreno e das vias de fuga, reforçando a importância da desobstrução atempada dos acessos.

Paralelamente aos trabalhos no terreno, a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra prepara uma campanha de sensibilização para promover boas práticas e reduzir comportamentos de risco, nomeadamente as queimas e queimadas, que continuam a ser uma das principais causas de incêndios.

Segundo o secretário executivo Jorge Brito, o objetivo é “incentivar os proprietários a fazer a limpeza dos terrenos” e adaptar a comunicação a diferentes públicos, recorrendo a ferramentas digitais e ações em escolas, municípios e junto de operadores turísticos.

A estratégia inclui conteúdos curtos e apelativos, com o objetivo de alcançar um público mais vasto e promover uma mudança de comportamentos.

É neste contexto que surge a figura do “Camaleão”, protagonista da campanha, que pretende transmitir mensagens de prevenção de forma simples e com humor.

Um dos intervenientes destacou que a abordagem procura ser “clara, direta” e acessível, defendendo que “a brincar se dizem as verdades” e que este formato pode ajudar a chegar a mais pessoas.

A campanha será desenvolvida ao longo dos próximos meses, acompanhando o período de maior risco e reforçando a sensibilização da população para a importância da prevenção.

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