A Feira da Árvore e a Festa da União de Freguesias de Semide e Rio de Vide decorrem até domingo, em Miranda do Corvo, com um programa que junta música, gastronomia, artesanato, atividades técnicas e momentos de reflexão sobre os desafios do setor primário.
Na abertura oficial, Luís Martins, presidente da União de Freguesias, destacou a importância do evento para “valorizar o trabalho das pessoas” que vivem e produzem no interior do país.
“Este certame serve para mostrar o nosso território, as nossas dificuldades e potencialidades. Não desistam de nós que estamos no interior, porque nós também não vamos desistir das pessoas que nos acompanham. Era bom que em Lisboa nos dessem um pouco mais de valor”, afirmou.
O responsável apresentou o programa que inclui as Jornadas Técnicas, o passeio noturno de BTT “Rota do Mosteiro”, o Festival de Folclore do Rancho Etnográfico Flores das Cortes, o tradicional passeio de tratores, atuações musicais e uma mostra com mais de 50 expositores.
“Queremos que seja uma feira completa, que una a parte técnica, a cultura, a gastronomia e o artesanato, reforçando a identidade do território”, acrescentou.
A vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo, Marilene Rodrigues, sublinhou a importância do certame para a economia local e para a valorização do concelho.
“A Feira da Árvore celebra tradições, cultura e identidade. É uma oportunidade para refletirmos sobre problemas como as alterações climáticas e os impactos da fauna selvagem, mas também para dar a conhecer os nossos produtos, como a chanfana e o vinho”, disse.
Entre os expositores, José Simões e Maria Alice Reis, do viveiro Quinta da Vala, alertaram para a necessidade de maior divulgação nacional da produção local.
“Esta região é o centro de produção de árvores de fruto a nível nacional. Estas feiras são benéficas, mas deviam ter mais divulgação para atrair compradores e valorizar o setor”, defendeu José Simões, lembrando ainda os impactos das alterações climáticas. “Hoje é necessário muito mais químicos e água para manter a produção. Antes era mais simples, agora temos de estar sempre a controlar pragas e ondas de calor.”
O artesanato também marca presença, com exemplos como o de Lúcia, funcionária da Santa Casa da Misericórdia de Semide, que dedica as noites e fins de semana à criação de bonecos personalizados.
“Descobri este mundo maravilhoso e nunca mais parei. É um trabalho feito por paixão e amor à arte”, contou.
Na área da doçaria, Ana Oliveira levou à feira os seus bolos e doces caseiros, resultado de um projeto iniciado em casa há oito anos.
“Graças a Deus o feedback tem sido muito bom. Espero que esta edição corra melhor que a do ano passado, em que o tempo não ajudou”, partilhou.
A Feira da Árvore e Festa da União de Freguesias de Semide e Rio de Vide decorre até domingo, 7 de setembro, e conta com atividades para todas as idades, reforçando o apelo do presidente da União de Freguesias para que “o interior não seja esquecido”.