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Vídeo | Há sete anos o Centro de Portugal estava em chamas. Governo quer implementar medidas

Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira @Beira Digital TV | Marta Sousa

Em junho e outubro de 2017, Portugal enfrentou um dos mais devastadores episódios de incêndios florestais da história, com o centro do país a ser particularmente atingido. Os fogos, que destruíram vastas áreas florestais, aldeias inteiras e ceifaram a vida de mais de 100 pessoas, expuseram fragilidades na prevenção e combate a incêndios no país, além de desencadearem um debate nacional sobre o ordenamento florestal, as mudanças climáticas e a resposta das autoridades.

Pedrógão Grande: A Chama Inesperada

A 17 de junho de 2017, o concelho de Pedrógão Grande foi palco de um dos incêndios mais mortíferos da história de Portugal. Um raio atingiu uma árvore seca, dando início a um fogo que, potenciado por condições meteorológicas extremas – com temperaturas superiores a 40°C, humidade baixa e ventos fortes – rapidamente se alastrou. A propagação das chamas foi tão rápida que muitos habitantes foram apanhados de surpresa. O fogo cortou estradas, cercou veículos e isolou várias localidades.

Ao longo de vários dias de combate, o incêndio deixou um rasto de destruição: 66 pessoas perderam a vida, muitas delas enquanto tentavam fugir pelas estradas. Centenas ficaram feridas, e as aldeias de Nodeirinho e Pobrais ficaram praticamente destruídas. As imagens das viaturas carbonizadas e os relatos dos sobreviventes marcaram profundamente o país.

Onda de Fogo de outubro

A 15 de outubro de 2017, outra vaga de incêndios assolou o centro e o norte de Portugal, numa situação agravada pela passagem da tempestade Ophelia. Em menos de 24 horas, mais de 500 incêndios foram registados em várias regiões. As temperaturas anormalmente elevadas para a época do ano, aliadas a ventos intensos, criaram as condições perfeitas para a propagação rápida dos fogos.

Esta nova onda de incêndios provocou a morte de 48 pessoas e arrasou milhares de hectares de floresta. O distrito de Coimbra foi particularmente afetado, com as localidades de Oliveira do Hospital e Arganil a registarem danos severos. Famílias inteiras ficaram desalojadas e os bombeiros, em número insuficiente para a dimensão dos fogos, lutavam para controlar as chamas.

Falhas e Consequências

Os incêndios de 2017 levantaram sérias questões sobre a eficácia dos sistemas de prevenção e resposta a incêndios em Portugal. O sistema de emergência revelou-se insuficiente para responder à magnitude da tragédia, com falhas nas comunicações, dificuldades na coordenação entre as diferentes forças de combate e a falta de manutenção das florestas a serem amplamente criticadas.

Além disso, muitos especialistas alertaram para o perigo do abandono rural e da má gestão florestal. A falta de ordenamento florestal, associada ao desinvestimento no interior do país, contribuiu para a vulnerabilidade das populações locais.

Lições que ficaram por aprender

Quase sete anos depois, o país voltou ajoelhar-se perante os incêndios de setembro de 2024. As regiões Norte e Centro foram devastadas. Perderam-se pelo menos sete vidas e cerca de 120 pessoas feridos. A área total ardida ultrapassou os 106 mil hectares, com maior impacto nos distritos de Aveiro, Porto, Vila Real, Braga e Viseu. Estes incêndios destruíram dezenas de habitações e obrigaram ao corte de estradas e autoestradas.

Questionado pela Beira Digital TV, o secretário de Estado das Florestas esclarece que “área de abandono, de falta de gestão, falta de pessoas, falta de rendimento, daquilo que é a agricultura e a floresta e todo o mundo rural” fez com que se voltasse a repetir um cenário de incêndios semelhante ao de 2017.

Rui Ladeira explica que numa resolução do Conselho de Ministros, o ministro da Agricultura ficou mandatado para criar um plano de intervenção em 90 dias, “para resolver problemas estruturais e fazer reformas para garantir que não estejamos todos os anos em sobressalto”.

O secretário de Estado adiante que estão prevista medidas que vão ser concretizadas no imediato como fornecer equipamento às autarquias e às Comunidades Intermunicipais para “poderem limpar, diminuir o risco, garantir as faixas, garantir aquilo que são a diminuição do risco e da infamabilidade dos incêndios e da proteção às aldeias, às estradas e, sobretudo, equipamento para arranjar os caminhos florestais”.

Outra das questões questões que o Governo quer resolver prende-se com a identificação dos proprietários dos terrenos. “Também queremos trabalhar estruturalmente a questão da propriedade, a questão daquilo que ninguém sabe quem é o proprietário, daquilo que é as heranças indivisas que ainda não estão devidamente entregues a quem quer ou pode ou tem que ser garantido que há um interlocutor, alguém que faça a gestão”.

 (5:18) E aí nós queremos atuar nessas e também no rendimento ao produtor, ao proprietário (5:23) florestal, ao agricultor, tem que aumentar o rendimento. (5:26) Portanto, é todo este trabalho de reflexão rápida, de ação e de operacionalização (5:31) que o Governo de Portugal quer implementar para o futuro, medidas de curto, de médio (5:37) e longo prazo, para o efeito de estarmos todos envolvidos e que

“Queremos que seja um desígnio nacional, proteger a floresta, proteger o espaço rural, valorizar o agricultor e quem granjeia a terra”, afirma Rui Ladeira.

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