A escadaria do Cristo voltou a ser palco de um dos eventos culturais mais emblemáticos do concelho. A 8.ª edição da Noite de Gil Vicente atraiu centenas de pessoas que se sentaram nos degraus para assistir a um espetáculo que uniu teatro, música e uma viagem narrativa pelo Oriente, num tributo aos grandes nomes da cultura portuguesa e universal.
O evento contou com a participação da Companhia de Teatro Experimental de Poiares (CETEP), da Filarmónica Fraternidade Poiarense e da Academia Gabriel de Matos, numa fusão artística que encantou o público até depois da meia-noite.
Víctor de Freitas, responsável pela direção artística, explicou que a preparação do exercício começou ainda em janeiro. “Foi um espetáculo maravilhoso. Os nossos alunos mostraram talento, verdade artística e cultural”, afirmou, sublinhando a importância das parcerias: “Sem a Filarmónica e sem a Academia Gabriel Matos, isto não seria possível.”
A temática deste ano foi uma “viagem pelo Oriente”, inspirada nos relatos de Fernão Mendes Pinto e integrada com elementos contemporâneos. “Houve uma investigação para contextualizar com o nosso tempo, e acho que conseguimos tornar o espetáculo lúdico, divertido e informativo”, acrescentou Víctor, destacando ainda a homenagem inicial a Camões e a outros poetas.
A coordenação de mais de 70 participantes, entre aprendizes e músicos, exigiu um esforço conjunto: “Cada grupo trabalhou a sua parte. Depois, foi unir tudo num colar artístico que resultou neste espetáculo”, explicou Víctor.
A adesão do público superou as expectativas. “Vieram pessoas de outros concelhos e isso mostra que este evento já é uma marca de Vila Nova de Poiares”, disse Vítor. “A cultura atrai, movimenta e enriquece o território.”
A noite foi também de celebração para a Filarmónica Fraternidade Poiarense, que conta com 150 anos de existência. O maestro Jorge Oliveira recordou a génese desta participação: “Foi no concerto dos nossos 150 anos que o convite surgiu. A música que tocámos naquela altura despertou o interesse dos organizadores.”
Sobre o espetáculo, o maestro foi perentório: “Tudo encaixou. Os temas escolhidos e a performance resultaram muito bem.” Com uma escola de música ativa e com jovens a seguir para o ensino superior em música, Jorge Oliveira acredita que o futuro da cultura local está assegurado.
A Academia Gabriel de Matos também deu o seu contributo, apostando este ano numa abordagem mais tradicional. “Fizemos uma incursão pelo fado, o que foi uma estreia para a nossa vocalista, a Leonor”, disse Gabriel Matos, que reforçou a importância de envolver os alunos em experiências ao vivo. “É com estas oportunidades que se forma o futuro artístico do concelho.”
O impacto do evento também se mede pelas conquistas fora de cena. Três alunos da CETEP estão prestes a integrar a Escola Superior de Teatro e Cinema, juntando-se a um quarto que já lá estuda. “Num concelho pequeno como o nosso, termos três jovens no top 30 de 470 candidatos é motivo de enorme orgulho”, afirmou Víctor de Freitas.
O presidente da Câmara Municipal, João Miguel Henriques, destacou a transformação cultural do concelho. “As Noites de Gil Vicente já fazem parte da nossa agenda e vieram para ficar. É um espetáculo de rua, acessível, envolvente, que preenche este espaço único com talento local.” E acrescentou: “O investimento na cultura está a dar frutos. Estes jovens têm hoje oportunidades que antes não existiam.”
A Noite de Gil Vicente voltou a ser uma celebração da cultura como motor de progresso, inclusão e identidade para Vila Nova de Poiares — um concelho que, como disse o presidente, “tem vindo a criar experiências que marcam a diferença, dentro e fora do palco.”