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Região

Tradições da Páscoa mantêm-se vivas entre fé e cultura popular em Coimbra

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A celebração da Páscoa continua profundamente enraizada em tradições religiosas e populares que atravessam gerações, mantendo vivas práticas que unem fé, cultura e identidade local na região de Coimbra.

Na cidade de Coimbra, uma das tradições mais antigas remonta ao sábado de Ramos, quando se realizava uma feira no Largo de Santa Cruz. Nesse espaço, a população reunia-se para preparar a bênção dos ramos no Domingo de Ramos, levando consigo cestas de arrufadas, decoradas com toalhas brancas de linho, que eram vendidas junto à missa.

Entre as manifestações populares mais marcantes destaca-se o “Enterro do Bacalhau”, recriado pelo Rancho Folclórico As Moleirinhas da Casconha, precisamente na Sexta-Feira Santa. Este cortejo, de caráter simbólico e irónico, representa o fim da abstinência de carne imposta pela Quaresma, período em que, por tradição cristã, o consumo de peixe substitui o de carne como forma de penitência.

A encenação assume a forma de um tribunal popular, onde desfilam personagens como o juiz, o oficial e o delegado, acompanhados por testemunhas de defesa — como a pescadinha marmota e a pescadinha rabitesa — e de acusação, como o galo, o mestre Zé Vitelo e o porco. Todos os testemunhos são apresentados em verso, num registo satírico. A representação integra ainda figuras como a Quaresma, as carpideiras e a própria Páscoa, culminando numa contradança com fitas coloridas entrelaçadas numa cana da índia.

A par destas expressões populares, a Igreja Católica mantém o calendário litúrgico da Semana Santa. As celebrações incluem o Domingo de Ramos, a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-Feira Santa — com o tradicional ritual do lava-pés presidido pelo bispo —, a Celebração da Paixão e a Via Sacra na Sexta-Feira Santa, a Vigília Pascal no Sábado de Aleluia e, por fim, a Missa da Ressurreição no Domingo de Páscoa. Em várias localidades, subsiste ainda a tradição da Visita Pascal.

Uma das particularidades em Coimbra é a Via-Sacra dos Estudantes, dinamizada pela Pastoral do Ensino Superior, dirigida à comunidade académica, mas aberta à participação da população em geral.

No concelho de Cantanhede, persistem também tradições singulares. Na freguesia de Cadima, realiza-se a meio da Quaresma o “Sarrar da Velha”, uma prática popular também conhecida como “Sátira aos Avós”. A iniciativa consiste numa ruidosa manifestação junto às casas de pessoas mais idosas, com recurso a serrotes de madeira, búzios e outros utensílios, num ambiente marcado pela irreverência e pela interação entre participantes e visados.

Já na localidade de Fornos, igualmente em Cadima, o Sábado de Aleluia é assinalado com a tradicional Queima do Judas. Esta encenação, com muitos anos de história, simboliza a purificação através do fogo, sendo a figura a queimar adaptada aos acontecimentos marcantes de cada ano.

Entre o sagrado e o profano, estas tradições continuam a marcar a vivência da Páscoa na região, refletindo uma herança cultural que se mantém viva nas comunidades locais.

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