Cláudio Neves Valente, o cidadão português suspeito de ter matado dois estudantes da Universidade Brown e o professor do MIT Nuno Loureiro, confessou os crimes em vários vídeos encontrados pelas autoridades norte-americanas no armazém onde o seu corpo foi descoberto. As gravações, feitas em português num aparelho eletrónico, foram divulgadas através de uma transcrição pelo gabinete da procuradora federal de Massachusetts.
A transcrição, com cerca de 1.600 palavras, reúne o conteúdo de quatro vídeos com uma duração total aproximada de 11 minutos. Neles, o suspeito descreve aspetos dos ataques ocorridos em dezembro e afirma que planeava o ataque à Universidade Brown há pelo menos três anos, sem, no entanto, apresentar uma motivação concreta para os homicídios.
Nos vídeos, Neves Valente refere uma lesão ocular sofrida durante um dos tiroteios, assumindo que esse foi o seu “único arrependimento”, e declara não sentir remorsos. Afirma ainda que estava insatisfeito com a forma como os ataques decorreram, mas sustenta que não se arrepende do que fez.
O suspeito admite que precisava de um “catalisador” para cometer os crimes, referindo confrontos ocorridos antes dos disparos. Diz também que o seu objetivo era “sair nos seus próprios termos” e que não queria ser quem acabasse por sofrer mais com a situação.
As gravações revelam ainda que Cláudio Neves Valente acompanhou a cobertura mediática dos ataques, negando motivações religiosas e comentando declarações do então ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre imigração. Em tom depreciativo, faz comentários sobre as vítimas e sobre a forma como estas reagiram durante o ataque em Brown.
No final dos vídeos, o atirador pondera o suicídio, questionando se teria coragem para fazer consigo o mesmo que fez com os outros. Segundo as autoridades, afirmou não ter nada por que pedir desculpa e demonstrou a intenção de terminar a sua vida.
O ataque na Universidade Brown, a 13 de dezembro, causou a morte de dois estudantes e ferimentos em nove pessoas. Dois dias depois, Nuno Loureiro, professor do MIT e antigo colega de Neves Valente no Instituto Superior Técnico, foi morto a tiro em casa. A 18 de dezembro, Cláudio Neves Valente foi encontrado morto num armazém em New Hampshire, após ter tirado a própria vida com uma arma de fogo.