O Município de Soure apresentou, esta quarta-feira, o programa “O Nosso Natal”, uma iniciativa que, segundo o presidente da Câmara, Rui Fernandes, pretende marcar uma mudança na forma como o concelho vive a quadra. O autarca explicou que o objetivo passa por transformar o habitual período de animação natalícia num instrumento de dinamização económica.
“Queremos fazer do nosso Natal um programa ancorado no comércio local”, afirmou Rui Fernandes, sublinhando que, ao contrário de outros anos, o investimento municipal — “um pouco superior a 150 mil euros” — não se dirige apenas à animação territorial, mas procura gerar movimento para os comerciantes de Soure. “Queremos que quem nos visitar possa descobrir em Soure um território onde pode fazer compras e conhecer as histórias de vida dos nossos comerciantes”, acrescentou.
Entre as novidades estão as atividades permanentes instaladas no centro da vila: pista de gelo descoberta, casa do Pai Natal, roda gigante infantil, comboio de Natal, comboio pediátrico e um mercadinho de Natal. Todas são gratuitas, mas de acesso condicionado à obtenção de senhas distribuídas pelo comércio local.
“Para ir à pista de gelo, é preciso visitar um estabelecimento comercial e recolher a senha”, detalhou o presidente, explicando que esta fórmula promove o contacto direto entre famílias e comerciantes. Sem consumo obrigatório, o processo é simples: “A única coisa que as crianças precisam para tirar uma senha ao comerciante é um sorriso.”
Segundo o município, a larga maioria dos comerciantes aderiu à iniciativa, abrangendo áreas como restauração, vestuário, bijutaria, floristas, mercearias e farmácias.
Rui Fernandes justificou ainda a opção de concentrar o evento em dois fins de semana, evitando dispersão. “Queremos aprender. Em anos anteriores, estendemos demasiado o programa e isso diluiu o impacto. Este ano concentramos para que as famílias venham e tenham um impacto real no comércio local.”
As atividades incluem animação de rua, teatro, concertos, a chegada do Pai Natal e a participação dos ranchos folclóricos.
Pista de gelo ao ar livre para “ligar a animação ao centro”
A pista de gelo foi instalada ao ar livre, assumindo-se o risco em caso de mau tempo. Para o autarca, a decisão é estratégica: “Não fazia sentido enfiá-la numa tenda num local afastado. As pessoas iam, saíam, e não contactavam com o comércio local. Aqui servirá para trazer movimento ao centro.”
O presidente apelou também à compreensão dos visitantes quanto às dificuldades de estacionamento: “Pedimos às pessoas que tenham paciência e venham ao centro conhecer quem aqui está do dia 1 de janeiro ao dia 31 de dezembro. Há gente que merece ser apoiada.”
Mercadinho sem concorrência ao comércio local
O autarca esclareceu que o mercadinho inclui apenas produtos típicos da época e não compete com as lojas existentes. “Não faz sentido ter uma barraquinha com os mesmos produtos das pastelarias ou cafés que aqui estão todo o ano.”
Rui Fernandes encerrou a apresentação reafirmando a orientação do evento: “O ponto, repito, é o comércio local. Este é o nosso Natal e queremos reforçá-lo ano após ano, sempre com os comerciantes.”