Coimbra viveu, este domingo, uma das maiores e mais emblemáticas celebrações do seu calendário académico: o Cortejo da Queima das Fitas. Desde o Pólo I da Universidade até ao Largo da Portagem, desfilaram cerca de uma centena de carros alegóricos e milhares de estudantes, num ambiente de festa, sátira, emoção e muita tradição.
A multidão encheu as ruas da cidade dos estudantes. Uns familiares, outros amigos e ainda muitos curiosos.
Entre copos erguidos, música e palavras de ordem pintadas nos carros, ouviu-se também a voz crítica dos jovens que, em fim de ciclo, olham com entusiasmo e incerteza para o futuro.
A Beira Digital TV esteve no local e recolheu os testemunhos de quem viveu esta experiência intensamente.
Despedidas e novos desafios
Beatriz Marques, finalista de Direito, falou da emoção de viver o último cortejo como estudante. “É o culminar de um ciclo. Parte de mim e da minha casa vai acabar,” confessou. “Cada ano é diferente, mas este tem um significado especial. Tenho aqui a minha família toda.” Sobre o futuro, é clara: “Quero acabar o mestrado, entrar na Ordem dos Advogados e começar a trabalhar o mais rápido possível.”
Rosana Pontes, de Matemática, foi surpreendida pela família e amigos. “Fiquei muito contente, não estava nada à espera,” revelou. “Este curso correu bem e este momento simboliza muito para mim.”
Tradição e Identidade Académica
Os estudantes de Medicina explicaram à Beira Digital TV o significado das insígnias e da tradicional Queima do Grelo. “Temos insígnias que marcam o nosso percurso académico: a semente, a nabiça, o grelo, as fitas… Cada uma representa uma etapa”, referiu uma das alunas.
Entre eles, um finalista prestes a tornar-se médico admitia com entusiasmo: “Ainda faltam uns meses, mas não podia ter sido melhor.” Já outros colegas de Lisboa, que participavam como visitantes, referiram as diferenças entre as celebrações: “A queima em Lisboa é boa, mas a de Coimbra é maior e muito mais vivida.”
Cajados personalizados
Tiago Rodrigues, finalista de Enfermagem Veterinária da Escola Agrária, exibiu com orgulho o seu cajado personalizado. “Fui com o meu pai ao mato buscar o pau. Pusemos-lhe um bigode, que é a imagem de marca”, explicou. “É com amor e carinho, se não partir até ao fim da queima, é para guardar.”
Sobre o curso, foi direto: “Foi lixado, mas deu. Era para fazer em quatro anos, fiz em três.” Quando questionado sobre o que leva da experiência académica, não hesitou: “Levo muitas amizades, gostei muito da cidade de Coimbra, borracheira e loucura.”
Gonçalo Santos e João Silva, finalistas de Biotecnologia, destacaram o espírito diferente da Agrária. “O nosso traje representa o espírito agrário. Temos o cajado em vez da bengala e cartola”, explicaram. Com os nomes e datas gravados, os cajados funcionam como símbolo de orgulho e pertença. “Vou levar muita saudade. Da vida, dos amigos, das experiências”, rematou Gonçalo.
Uma Festa Para Todos
Bárbara e Karím não quiseram faltar à festa. “Não viemos ver ninguém em particular, mas aproveitar a festa,” contou Bárbara, natural de Tomar e já há quase uma década a viver em Coimbra. Para Karím, brasileiro, esta foi uma experiência única: “No Brasil temos praxe, mas não é como aqui. Isto é muito mais divertido.”
Ambos sublinharam a energia contagiante do cortejo. “Este ano está melhor. Tem mais bebidas, mais gente bonita, mais diversão”, comentou Karim, entre risos. “Acho que é porque agora estou numa relação, por isso estou a gostar ainda mais!”
Sátira, Crítica e Alegria
Apesar de alguns incidentes – como um princípio de incêndio num dos carros – a tarde foi marcada pela alegria. Os carros alegóricos trouxeram à rua não apenas festa, mas também crítica social e política, reflexo de uma geração atenta e participativa.
O Cortejo da Queima das Fitas 2025 mostrou, uma vez mais, que Coimbra continua a ser uma cidade onde tradição, identidade estudantil e emoção se entrelaçam. Entre fitas, cajados e cartolas, cada passo no cortejo foi também um passo rumo ao futuro – incerto, mas carregado de memórias e experiências que perdurarão.
Apesar das incertezas do mercado de trabalho, que pairam como uma sombra sobre muitos finalistas, a Queima das Fitas de Coimbra foi, mais uma vez, um momento de exaltação da memória, da amizade e da tradição. Num misto de nostalgia e celebração, os estudantes brindaram ao passado e ao futuro, numa festa que, para muitos, é irrepetível — mas absolutamente inesquecível.
A cidade de Viseu acolhe esta sexta-feira, 17 de abril, o primeiro dia de finais…
A vila de Góis volta a acolher uma prova oficial da Federação Portuguesa de Badminton,…
A Câmara Municipal de Coimbra assinala o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, no sábado,…
O projeto “Viajar no Tempo – Ferrovia entre o Vouga e o Dão” foi apresentado…
A Comissão Diretiva do Programa Regional do Centro (Centro 2030) ficou completa com a entrada…
O auditório da Biblioteca Municipal de Cantanhede acolhe, este sábado, 18 de abril, às 16h00,…
This website uses cookies.