A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou para o agravamento do estado do tempo em Portugal continental nos próximos dias, com previsão de chuva forte e persistente, vento intenso e forte agitação marítima, em especial nas regiões Norte e Centro.
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), estão previstos períodos de precipitação, por vezes forte e contínua, bem como vento forte, com rajadas que podem atingir os 90 quilómetros por hora nas terras altas do Norte e Centro. Na costa ocidental, prevê-se agitação marítima forte, com ondas de noroeste até seis metros, podendo a altura máxima chegar aos 11 metros.
No plano hidrológico, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) antecipa uma situação potencialmente perigosa nas bacias hidrográficas dos rios Mondego e Vouga. No caso do Mondego, os municípios potencialmente afetados são Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho e Soure. Já na bacia do Vouga, a situação poderá ter impacto nos concelhos de Mira e Cantanhede.
A Proteção Civil refere que a precipitação intensa dos últimos dias provocou a saturação dos solos, fragilizou as margens dos cursos de água e contribuiu para a subida dos caudais na bacia do Mondego, que deverão manter-se elevados nos próximos dias. Este cenário poderá ter impacto direto em zonas historicamente vulneráveis, em particular nos diques localizados a jusante da Ponte Açude de Coimbra.
A continuação da chuva aumenta o risco de cheias e inundações, sendo expectáveis transbordos de rios e ribeiras, inundações em áreas urbanas devido à acumulação de águas pluviais, instabilidade de vertentes com deslizamentos e derrocadas, bem como dificuldades na circulação rodoviária, incluindo piso escorregadio e eventual interdição de vias por submersão. A ANEPC alerta ainda para o risco de acidentes na orla costeira, decorrentes da forte agitação marítima, e para o arrastamento de objetos e estruturas mal fixadas, por efeito do vento forte e das cheias.
Face a esta situação, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil apela à adoção de comportamentos preventivos, sobretudo nas zonas mais vulneráveis, recomendando a desobstrução dos sistemas de escoamento de águas pluviais, a evitação de atividades junto a linhas de água, a não travessia de áreas inundadas e a retirada de pessoas, animais e bens de locais em risco. É igualmente aconselhada uma condução defensiva e a restrição de deslocações em áreas potencialmente afetadas.
A Proteção Civil recomenda ainda que seja evitada a permanência junto da orla costeira e zonas ribeirinhas vulneráveis a galgamentos, bem como a prática de atividades relacionadas com o mar. A população deve manter-se atenta às informações do IPMA, da Agência Portuguesa do Ambiente e às indicações dos serviços de Proteção Civil e das forças de segurança.