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Incêndios de 15 de outubro de 2017 devastaram a Região Centro e deixaram marcas profundas no território

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Há oito anos, no dia 15 de outubro de 2017, a Região Centro de Portugal viveu um dos dias mais trágicos da sua história recente. Uma combinação de temperaturas elevadas, ventos fortes e uma seca extrema deu origem a uma série de incêndios florestais que devastaram dezenas de concelhos, provocando 50 mortes, 70 feridos e prejuízos de centenas de milhões de euros.

Em poucas horas, o fogo alastrou-se a vários distritos, um deles Coimbra. As chamas consumiram mais de 220 mil hectares, dos quais cerca de 190 mil de floresta, numa das maiores áreas ardidas de sempre no país.

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“Foi um fenómeno extremo, quase impossível de controlar, mas também o reflexo de décadas de desordenamento florestal e abandono rural”, concluiu a Comissão Técnica Independente, criada pela Assembleia da República para investigar a catástrofe. O relatório final apontou falhas graves na coordenação dos meios de combate e na prevenção, sublinhando que “a estrutura de comando revelou debilidades que comprometeram a resposta operacional”.

Entre as vítimas estavam famílias que tentavam fugir das aldeias cercadas pelas chamas, muitas das quais ficaram sem casa nem bens. Mais de 1 400 habitações foram destruídas ou danificadas, e cerca de 500 empresas sofreram prejuízos severos, segundo dados oficiais do Governo divulgados em 2018.

A tragédia de outubro de 2017 veio apenas quatro meses depois dos incêndios de Pedrógão Grande, que já haviam provocado 66 mortos, deixando o país em choque e em busca de respostas. Na altura, o então Governo lançou o Programa de Revitalização do Pinhal Interior, com medidas de apoio à reconstrução de casas, recuperação de empresas e reflorestação das áreas ardidas.

Apesar dos esforços, muitos concelhos da Região Centro continuam, oito anos depois, a lutar contra as consequências da tragédia. A reconstrução física avançou, mas a recuperação social e económica é mais lenta.

Os incêndios de 15 de outubro de 2017 foram, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), potenciados por uma situação meteorológica excecional: ventos de sul intensos e temperaturas acima dos 30 graus, num dia em que cerca de 500 ignições foram registadas em todo o país.

A data permanece como um símbolo da vulnerabilidade da floresta portuguesa e da urgência em mudar o modelo de gestão do território. O desastre da Região Centro expôs as fragilidades de um país onde, como recordou a CTI, “a floresta continua a ser deixada ao abandono, e o risco de novas tragédias persiste enquanto não houver uma política integrada de ordenamento e prevenção”.

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