A greve geral desta quinta-feira provocou perturbações em vários setores, dos transportes à saúde, mas Governo e sindicatos apresentam avaliações opostas sobre a dimensão da adesão.
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou em Lisboa que a paralisação teve impacto reduzido, classificando-a como “inexpressiva”. Segundo o governante, a maioria dos serviços manteve a atividade e “o país está a trabalhar”, apesar das dificuldades verificadas em alguns transportes.
António Leitão Amaro referiu dados de transações financeiras e da circulação rodoviária para sustentar a posição do Executivo. Indicou que os pagamentos registados na SIBS apresentaram uma quebra de cerca de 7% face a um dia normal, e que o tráfego nas pontes que dão acesso a Lisboa diminuiu cerca de 5%, números que considera insuficientes para demonstrar uma adesão significativa. Reforçou ainda que o Governo “tem estado sempre aberto ao diálogo”.
Em sentido contrário, a CGTP destacou uma mobilização muito elevada. O secretário-geral da central sindical, Tiago Oliveira, afirmou que mais de três milhões de trabalhadores terão aderido à paralisação, tornando esta greve “uma das maiores de sempre”. Para o sindicalista, a adesão expressa uma “força inequívoca” das reivindicações por “melhores salários e mais direitos”.
A greve foi convocada conjuntamente pela CGTP e pela UGT em protesto contra a proposta de revisão do Código do Trabalho, marcando a primeira paralisação conjunta das duas centrais sindicais desde junho de 2013.