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Excesso de embalagens e falta de mudança mantêm problema dos resíduos no Natal

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O excesso de embalagens e a falta de evolução por parte das marcas continuam a marcar o consumo em Portugal, sem que tenha existido uma verdadeira transição para modelos mais sustentáveis. Mantêm-se práticas assentes na descartabilidade e na embalagem como argumento de venda.

Susana Fonseca, vice-presidente da associação ambientalista Zero, recorda que estas preocupações já eram levantadas há cerca de 18 anos, quando integrava a associação Quercus. Na altura, chamava a atenção para a grande parte da população que não fazia reciclagem, sobretudo no período do Natal, quando a produção de lixo doméstico aumenta.

Passadas quase duas décadas, considera que houve algumas melhorias, como uma rede de ecopontos mais próxima das pessoas, o que pode facilitar a separação dos resíduos. No entanto, esse avanço foi acompanhado por um aumento do consumo. O acesso a mais bens, o crescimento do comércio online e da fast fashion levaram as pessoas a comprar mais, produzindo mais resíduos.

Muitos desses produtos, acrescenta, representam um elevado gasto e acabam por se tornar inutilidades, guardadas durante anos até serem deitadas fora.

Também na forma como os resíduos são colocados na rua durante o Natal, Susana Fonseca não vê uma evolução significativa, alertando para o facto de ser um período com menos recolha e de trabalho reduzido no setor.

Para a responsável, a situação não mudará sem uma alteração profunda do sistema. Atualmente, os cidadãos pagam os resíduos em função do consumo de água, o que não incentiva a redução nem a separação do lixo. Defende, por isso, um modelo que estimule quem separa e penalize quem não o faz.

Apesar de algumas melhorias, considera que o país “andou a marcar passo” nos últimos anos, com taxas de separação de resíduos muito baixas, dificuldades na separação dos biorresíduos e metas europeias por cumprir. Defende ainda um maior envolvimento dos municípios.

Sem sinais claros de maior separação de resíduos no Natal, e com embalagens que continuam a misturar papel e plástico, Susana Fonseca apela à consciência da população, pedindo que o lixo não seja colocado na rua imediatamente após a noite de Natal.

Tal como no passado, deixa conselhos que continuam atuais, como o reaproveitamento dos embrulhos e uma melhor gestão dos restos de comida. Acredita que há mais pessoas a fazê-lo, mas admite que ainda não são a maioria.

Em 2024 foram recolhidas em Portugal 5,52 milhões de toneladas de resíduos urbanos, mais 182,8 mil toneladas do que no ano anterior. Cada habitante produziu, em média, 516,2 quilos de resíduos, mais 11,6 quilos do que em 2023.

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