A Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) apoiou o desenvolvimento de duas inovações tecnológicas na área da saúde — o “SENESUIT” e a “Pen2Scan” — que foram recentemente premiadas na 2.ª edição do Concurso de Projetos de Ignição e Provas de Conceito, promovido pela instituição no âmbito do projeto INOVC+, dedicado à transferência de conhecimento e tecnologia para o setor empresarial.
O “SENESUIT: Fato de Simulação Biomecânica e Neurofisiológica do Envelhecimento Senescente” é uma ferramenta avançada destinada a reproduzir, de forma controlada e progressiva, o declínio funcional associado ao envelhecimento humano. Ao contrário dos fatos de simulação tradicionais, baseados em pesos e restrições mecânicas estáticas, o SENESUIT permite uma modulação graduável e mensurável das limitações, aproximando-se de padrões fisiológicos reais.
Segundo nota enviada à Beira Digital TV, o projeto, apresentado por cinco docentes e investigadores da ESEUC (Alberto Barata, Isabel Gil, Paulo Costa (promotor principal), Maria de Lurdes Almeida (atualmente aposentada, mas uma das principais impulsionadoras da ideia) e Pedro Parreira), integra componentes pneumáticos de rigidez variável, sensores e módulos de estimulação neuromuscular coordenados por software próprio, possibilitando a simulação de diferentes perfis de declínio funcional. O objetivo passa por reforçar competências de avaliação, gestão do risco, prevenção de quedas e adaptação dos cuidados à população idosa, junto de estudantes, profissionais de saúde, cuidadores e técnicos da área social.
O SENESUIT recebeu um financiamento de cerca de 3.200 euros, destinado ao desenvolvimento de um protótipo semifuncional até julho de 2026.
Já o “Pen2Scan”, desenvolvido por três recém-licenciadas em Enfermagem (Ana Monteiro, Núria Mena e Salomé Galvão) e uma bolseira de investigação, Inês Almeida, consiste numa caneta multifunções portátil que permite a punção, colheita e análise imediata de glicemia e coagulação sanguínea. O dispositivo recorre a tecnologia de vácuo para reduzir a dor, minimizar erros e garantir uma amostra adequada, integrando ainda inscrições em braille para garantir acessibilidade a utilizadores invisuais.
O equipamento será complementado por uma aplicação móvel que regista automaticamente os resultados, histórico clínico, data e hora, utilizando códigos de cor para interpretação dos valores e facilitando o contacto com profissionais de saúde. O projeto recebeu um apoio financeiro de cerca de 2.800 euros para desenvolvimento tecnológico e validação experimental. Segundo Ana Monteiro, o “objetivo principal é promover a evolução do nível de maturidade tecnológica (TRL), que atualmente corresponde ao nível 2, através da implementação de um plano experimental estruturado, do desenvolvimento de um protótipo funcional, da realização de testes preliminares, dos ajustes técnicos decorrentes desses ensaios e da respetiva validação experimental.”
Ambos os projetos inserem-se na 4.ª edição do INOVC+, considerado estratégico para a região Centro, que envolve 23 entidades parceiras e representa um investimento global de 4,1 milhões de euros, cofinanciado em 85% pelo Centro 2030, Portugal 2030 e pela União Europeia.