A Escola Miguel Torga vai assinalar, no próximo dia 24 de janeiro, mais um aniversário da instituição com uma cerimónia comemorativa centrada no reconhecimento da sua comunidade académica e na atribuição do Prémio Justiça e Liberdade ao professor Eduardo Paz Ferreira.
Em entrevista à Beira Digital TV, Manuel Castelo Branco sublinhou que a contagem de 89 anos tem por base a data da primeira aula, embora a história da escola seja mais antiga. “Seguramente a escola é um bocadinho mais antiga, com ato normativo de instituição, e portanto a escola tem mais de 89 anos”, afirmou, acrescentando que um dos objetivos para o próximo ano passa pela edição de um livro sobre a história da Escola Miguel Torga.
A cerimónia terá lugar durante a manhã e será breve, mantendo uma lógica de continuidade em relação ao programa do ano anterior. Segundo Manuel Castelo Branco, o momento servirá para “reconhecer as pessoas da escola, reconhecer os professores, reconhecer os alunos”, incluindo a entrega de diplomas aos finalistas, num gesto de valorização da comunidade académica.
Um dos pontos centrais da comemoração será a homenagem ao professor Eduardo Paz Ferreira, que receberá o Prémio Justiça e Liberdade. Para o responsável, trata-se de “um dos grandes nomes da defesa da liberdade, da justiça e da democracia em Portugal”. O prémio passará, a partir do próximo ano, a designar-se Prémio Justiça e Liberdade Eduardo Paz Ferreira.
A sessão contará ainda com a presença de várias entidades institucionais, entre as quais a presidente da Comunidade Intermunicipal, Lídia Tidosio, representantes municipais e o presidente da Associação de Estudantes. Manuel Castelo Branco descreve o evento como “uma cerimónia simultaneamente familiar, apelando para os valores profundos desta escola, mas também uma cerimónia para o mundo”.
Questionado sobre o que distingue a Escola Miguel Torga de outras instituições de ensino superior, Manuel Castelo Branco destacou a sua história quase centenária e a forte ligação ao conceito de Estado Social desde a década de 1930. “Esta não é uma escola neutra nos seus conteúdos”, afirmou, sublinhando a orientação para a democracia social e a solicitude social.
Outro fator diferenciador referido é o facto de a escola ter como proprietários os municípios, o que, segundo o responsável, garante uma forte proximidade à comunidade. “É uma escola que responde às necessidades da comunidade, está incrustada na comunidade. Não é uma escola numa torre de marfim”, salientou.
Além das licenciaturas e mestrados, a instituição aposta em formações de curta duração, desenvolvidas em articulação direta com municípios, associações e entidades locais. Para Manuel Castelo Branco, esta capacidade de resposta prática e próxima “é algo que mais nenhuma escola que eu conheço no país tem”, reforçando a singularidade da Escola Miguel Torga no panorama do ensino superior português.