Um grupo de WhatsApp da Universidade de Coimbra tornou-se o centro de uma polémica após a partilha de conteúdos racistas e misóginos. O caso já está a ser investigado pela Provedoria do Estudante e pode resultar na expulsão dos autores. A Associação Académica já repudiou os ataques, classificando-os como “lamentáveis”.
Estudantes da Universidade de Coimbra enviaram áudios e imagens com conteúdos racistas, xenófobos e misóginos para um grupo de WhatsApp constituído por cerca de 800 alunos.
Os conteúdos chocaram a comunidade académica e levaram a que a Provedoria do Estudante da Universidade de Coimbra encetasse “diligências para o apuramento dos factos e envolvidos”.
Em causa está um áudio de cerca de 5 minutos, com insultos, dirigidos a mulheres, estrangeiros e negros. “A mulher é para bater, mais nada”, é apenas um dos exemplos que constava no ficheiro. Noutra situação, o grupo partilhou imagens com apologia do nazi.
As ‘piadas’ são contadas por várias vozes, mas apenas um dos envolvidos – que enviou os ficheiros pelo telemóvel – apresentou “desculpas” à universidade, politécnico e associações de estudantes. Apesar disso, não identificou os colegas que participaram dos áudios.
Segundo o Correio da Manhã, tudo indica que todo o grupo pertença ao Coimbra Business School ISCAC, do Instituto Politécnico de Coimbra.
Os autores correm agora o risco de serem alvo de processos disciplinares, que podem resultar na expulsão da Universidade de Coimbra.
A Associação Académica de Coimbra (AAC) já emitiu uma “nota de repúdio” nas suas redes sociais, realçando que os episódios que ocorreram são “lamentáveis” e requerem uma “investigação rigorosa” e “tomada de providências consequentes por parte das autoridades competentes”.
“O racismo e qualquer forma de discriminação são atentados flagrantes aos valores da liberdade, igualdade e dignidade que definem a nossa comunidade académica. Não há espaço para ódio ou para a exclusão na nossa cidade e nas nossas instituições de ensino”, sublinharam na mesma publicação.
Recorde-se que, recentemente, a Associação Académica de Coimbra deliberou excluir o partido Chega dos eventos ou iniciativas cívicas, sociais, económicas, mediáticas ou políticas dos órgãos centrais, intermédios e estruturas estudantis.
O partido fundado e liderado por André Ventura está assim excluído de visitas ao edifício-sede, em moldes eleitorais, políticos, institucionais ou demais situações extraordinárias.
Está igualmente vedada a sua participação em eventos ou iniciativas cívicas, sociais, económicas, mediáticas ou políticas dos órgãos centrais, intermédios e estruturas da AAC.
“A direção-geral reafirma, assim, o seu compromisso com uma academia inclusiva, plural e assente nos princípios da liberdade, igualdade e solidariedade”, honrando o “legado histórico da instituição e o papel dos estudantes na defesa da democracia em Portugal”, anunciaram no passado dia 26 de fevereiro.
Segundo a estrutura estudantil, “o discurso de ódio e xenófobo promovido pelo partido Chega assume-se como o principal ponto de fraturação política e institucional junto da AAC, incompatibilizando-se diretamente com os princípios estatutários da instituição”.
Perante isso e “respeitando o previsto” nos estatudos da associação, a direção-geral da mesma defende que é “obrigação coletiva defender e promover os princípios democráticos como garantias da liberdade, solidariedade e igualdade equitativa de oportunidades”.