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Cheia do rio Ceira provoca estragos na praia fluvial da Senhora da Graça em Serpins

A freguesia de Serpins, no concelho da Lousã, foi esta quinta-feira fortemente afetada pela subida do caudal do rio Ceira, na sequência da passagem da depressão Kristin pela região Centro do país. O rio acabou por transpor as margens, provocando danos significativos na praia fluvial da Nossa Senhora da Graça.

No local, as condições de segurança levaram mesmo à recolocação das equipas para zonas mais elevadas, uma vez que o caudal “ainda está com muita força” e continuava a subir durante a tarde. Apesar de uma ligeira descida do nível da água em relação ao pico registado durante a manhã, a situação manteve-se complicada.

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Em declarações no local à Beira Digital TV, o presidente da Junta de Freguesia de Serpins, Jorge Lima, classificou o cenário como “complicadíssimo”. Segundo o autarca, a possibilidade de cheias já era conhecida desde as primeiras horas do dia. “Nós tínhamos a noção às sete da manhã que poderíamos ter este cenário. Em reunião da Comissão Municipal fizemos essa previsão. Não sabíamos a dimensão”, afirmou.

A previsão acabou por se confirmar, com o rio a transbordar e a destruir grande parte da praia fluvial. Para além da subida do Ceira, registaram-se várias ocorrências na freguesia, incluindo quedas de árvores, danos em estruturas e taludes de estradas, sobretudo na zona dos Codessais, junto a áreas ardidas em agosto. “Os afluentes vêm aqui para o rio Ceira e não há como controlar”, explicou Jorge Lima.

O presidente da Junta sublinhou ainda a instabilidade do rio. “O rio Ceira é um rio muito instável, sobe rápido, desce rápido, não tem qualquer barragem para o controlar e este cenário já se repetiu outros anos e infelizmente voltou-se a repetir”, referiu.

Quanto aos trabalhos no terreno, o autarca reconheceu que, nesta fase, pouco pode ser feito. “Infelizmente a esta hora os trabalhos são poucos, não há grande coisa a fazer, temos que esperar que o caudal possa diminuir”, disse. Ainda assim, foram tomadas medidas preventivas antes da cheia, como a remoção de estruturas, caixotes e ecopontos, bem como a retirada de mobiliário por parte do concessionário do Moinho Bar, numa tentativa de minimizar os estragos.

À população, Jorge Lima deixou um apelo claro para que permaneça em casa. “Pedimos que fique em casa. Há máquinas em manobras, é perigoso e existem muitos lençóis de água nas estradas”, alertou, acrescentando que, em caso de necessidade, os cidadãos devem contactar os meios de proteção civil. “Peço que não sejam elas a vir a nós.”

As autoridades locais aguardam agora a descida do caudal para proceder a uma avaliação completa dos danos causados pela cheia.

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