O Cercal Rock regressa no próximo dia 15 de novembro para celebrar a sua 28.ª edição, afirmando-se como um dos festivais mais emblemáticos do concelho de Soure e um verdadeiro ponto de encontro entre gerações. O evento decorre, como é tradição, na localidade do Cercal, na União das Freguesias de Gesteira e Brunhós, e é organizado pela Banda Balbúrdia, com o apoio do Município de Soure.
Na conferência de imprensa de apresentação, a vice-presidente da Câmara Municipal de Soure, Teresa Pedrosa, destacou que o Cercal Rock “é um festival já com 28 anos de existência, que se realiza numa freguesia que muito nos orgulha”.
“Para o município, é um prazer e uma missão contribuir para a divulgação e promoção deste tipo de eventos”, afirmou a autarca, sublinhando o impacto regional que o festival tem vindo a conquistar.
Teresa Pedrosa descreveu ainda o evento como “muito específico, com um público muito direcionado, mas que, ao longo das edições, tem reunido várias gerações”.
“É um festival dedicado a um estilo de música muito próprio, o rock, que no contexto regional não existe em muitos outros concelhos”, acrescentou.
Ao seu lado estiveram João Paulo Castanheira, fundador do grupo Balbúrdia e um dos impulsionadores do festival, e Guilherme Castanheira, presidente da Banda do Cercal, entidade que acolhe e apoia logisticamente o evento.
João Paulo Castanheira recordou que o Cercal Rock nasceu em 1997, “como uma tentativa do grupo Balbúrdia de criar um evento que reunisse condições dignas para que as bandas pudessem mostrar o seu trabalho e o público o pudesse usufruir”.
“Depois de muitos concertos em vários pontos do país, percebemos que faltava um festival com boas condições logísticas e organizativas. O Cercal Rock nasceu dessa necessidade e foi crescendo ao longo dos anos, com novas dinâmicas e horizontes”, referiu.
O presidente da Banda do Cercal, Guilherme Castanheira, reforçou o papel cultural do evento numa localidade pequena, mas muito ativa.
“O Cercal é uma aldeia cada vez mais desabitada, mas o movimento cultural mantém-se dinâmico. O Cercal Rock é prova viva disso. Apesar de não termos muitos habitantes, continuamos a fazer acontecer”, afirmou.
O dirigente lembrou que o festival regressou em 2014, após um interregno, e que desde então tem procurado “trazer alguns nomes maiores do panorama nacional do rock”, sem nunca perder o foco na promoção da nova música portuguesa.
“Já tivemos o orgulho de receber os UHF, Peste & Sida, Mata-Ratos e Censurados, entre outros. Mas o objetivo mantém-se: dar palco a novos projetos e mostrar a nova música portuguesa”, sublinhou.
A edição deste ano contará com quatro bandas em palco: Balbúrdia, Fitacola, Peter Strange e Abandonados, todas com atuações em português.
“Os Fitacola regressam precisamente 20 anos depois de terem passado pelo Cercal Rock, em 2005. Hoje são uma banda com outro estatuto e achámos que tinham legitimidade para ser cabeças de cartaz”, explicou João Paulo Castanheira.
O festival mantém uma gestão financeira sustentada, sem fins lucrativos, dependendo essencialmente da bilheteira e do apoio logístico da autarquia. Os bilhetes custam 8 euros em pré-venda e 10 euros no dia do evento, estando disponíveis online e em vários pontos de venda em Soure e Coimbra.
Os portões do recinto abrem às 22h00, e os concertos têm início às 22h30, depois da tradicional sessão protocolar de abertura com representantes do município e da União das Freguesias.
Teresa Pedrosa defendeu que o evento deve continuar a realizar-se na aldeia onde nasceu: “Se o Cercal Rock saísse dali, deixaria de ser o que é. Tem uma identidade própria, ligada ao território e à comunidade. É um festival com características muito particulares e um público intergeracional que se reencontra todos os anos”, afirmou.
Para Guilherme Castanheira, o festival “é como a festa da aldeia”. “Toda a gente veste a camisola do Cercal Rock. É um marco cultural muito importante, apoiado pelos habitantes e por muitos cercalenses que já não vivem lá, mas que regressam religiosamente em novembro para o festival”, destacou.
A encerrar a conferência, Teresa Pedrosa reforçou o simbolismo do evento para o concelho: “O Cercal Rock é também Soure. Quem vem ao Cercal Rock conhece melhor o que somos. É um ponto de encontro e de partilha que faz parte da nossa identidade cultural”, concluiu.