A Assembleia Municipal de Vila Nova de Poiares decidiu, na reunião realizada esta segunda-feira, avançar com a criação de uma comissão com o objetivo de acompanhar o processo relativo às acessibilidades rodoviárias, em particular a ligação entre a A13 e o IP3. A proposta foi apresentada pela bancada do Partido Socialista (PS).
O deputado socialista Fernando Alvarinhas explicou que a futura comissão terá como foco exclusivo a questão das acessibilidades, recordando a existência de um estudo anteriormente elaborado, com dotação financeira assegurada. “Havia um estudo já feito e que tinha dotação financeira”, afirmou, alertando que o atual executivo poderá estar a deixar esse trabalho para trás em favor de uma nova solução.
A nova solução foi anunciada em 19 de dezembro e passa pela duplicação do traçado do IP3 entre Souselas e Penacova, num investimento estimado em 502 milhões de euros. A intervenção visa reforçar a ligação ao interior do distrito de Coimbra e aproximar concelhos como Góis e Arganil.
O presidente da Câmara, Nuno Neves, reconheceu na sua intervenção que a opção agora avançada não corresponde à melhor solução para município. “Havia três estudos em cima da mesa e a solução que avançou não é a solução que nos agrada, mas foi a possível”, afirmou. Ainda assim, sublinhou que a decisão passou pela requalificação do IP3, acrescentando que “esta não é a solução que mais agrada, mas é melhor ter isto do que não ter nada”.
A questão das acessibilidades é um processo antigo, que se arrasta desde 1997, como recordou o presidente da Assembleia Municipal, Vítor Silva, que irá presidir à comissão de trabalho.
Ficou ainda definido que a comissão será composta por dois deputados do PSD (Alberto Diniz e Marcos Bento), dois do PRS – Poiares a Sérios (Hugo Santos e Daniela Carvalho) e dois do PS (Fernando Alvarinhas e Nuno Lima).
A comissão pretende funcionar como um grupo de trabalho alargado, integrando representantes das três bancadas com assento na Assembleia Municipal. Para Fernando Alvarinhas, o principal objetivo passa por salvaguardar o trabalho já desenvolvido. “O que nós pretendemos é que não se perca o trabalho que foi feito no passado pelo executivo anterior e mesmo pelas bancadas adversárias”, sublinhou.
Vítor Silva fez questão de esclarecer que a criação desta comissão “não é nada contra o executivo”, acrescentando que o objetivo é “ajudar o executivo e assumir responsabilidades”.
O deputado socialista frisou ainda que a comissão quer, pelo menos, conhecer a alternativa que está a ser equacionada. “Queremos saber qual é a nova solução, porque apenas conhecemos o estudo anterior”, concluiu.
Marcos Bento, deputado do PSD, considerou importante estruturar desde já o trabalho da comissão. O social-democrata defendeu a criação de “um projeto de trabalho” que permita, “num futuro próximo”, promover reuniões iniciais sobre os projetos em causa, de forma a que, “até fevereiro, consigam ter algum sumo e para conseguirem debater as estratégias”.
Durante a reunião, Anabela Soares, da bancada do PRS, defendeu a necessidade de mais esclarecimentos técnicos, propondo que “na próxima reunião da Assembleia Municipal venha alguém da CIM Região de Coimbra explicar melhor a questão das acessibilidades e do traçado definido”.