Vila Nova de Poiares voltou a ser palco da Procissão do Senhor dos Passos, um evento religioso de grande significado, que havia deixado de se realizar há cerca de 80 anos e foi recuperado no ano passado pela Unidade Pastoral local. A cerimónia deste ano decorreu com grande envolvimento da comunidade, reforçando a tradição e a devoção dos fiéis.
O pároco Orlando Guerra destacou o simbolismo da procissão, sublinhando que “é o simbolismo de nos unirmos aos passos de Cristo a caminho do Calvário”. Segundo explicou à Beira Digital TV, esta tradição remonta às peregrinações a Jerusalém, onde os cristãos reviviam o caminho de Jesus desde a condenação até à crucificação. Na procissão, este percurso é simbolicamente recriado, com destaque para momentos como o encontro entre Jesus e a sua mãe, Nossa Senhora.
A figura de Verónica teve igualmente um papel importante na cerimónia. Como explicou o pároco, “Verónica, segundo a tradição, foi a mulher piedosa que enxugou o rosto de Jesus, ficando a sua imagem estampada no lenço”. Na procissão, esta cena foi representada por uma jovem trajada a rigor, que entoou um versículo do Livro das Lamentações, evocando a dor e o sacrifício de Cristo.
O evento contou com a participação ativa das freguesias da Unidade Pastoral de Vila Nova de Poiares, cujas capelas estiveram representadas com estandartes. As crianças da catequese desempenharam figuras vivas ao longo do percurso, contribuindo para a encenação dos momentos mais marcantes da Paixão de Cristo.
Uma das novidades desta edição foi a confeção dos trajes, realizada localmente por senhoras voluntárias da comunidade. “Graças à sua dedicação, conseguimos produzir os nossos próprios fatos, sem necessidade de recorrer a empréstimos, como aconteceu no ano passado”, explicou Orlando Guerra.
Para o próximo ano, a organização pretende continuar a aprimorar a experiência, tanto a nível logístico como espiritual. “O objetivo é melhorar continuamente para que esta vivência seja cada vez mais profunda e significativa”, afirmou o pároco.
O evento decorreu em pleno Tempo Quaresmal, um período de reflexão e renovação espiritual. O pároco deixou ainda uma mensagem à comunidade, incentivando a um regresso ao essencial da fé: “A Quaresma não é um tempo triste, mas sim uma oportunidade de reconciliação e renovação interior”.
Entrevista ao pároco Orlando Guerra