A Orquestra Gulbenkian e Boris Berman abrem a 31.ª edição da SIPO, que volta a afirmar-se como um dos mais relevantes encontros dedicados ao piano em Portugal. Entre Óbidos, Caldas da Rainha e Lisboa, o festival reúne recitais, masterclasses, conferências, exposições e uma estreia absoluta, num programa que cruza tradição, descoberta e excelência artística.
Entre 26 de junho e 4 de agosto de 2026, a Semana Internacional de Piano de Óbidos (SIPO) regressa para a sua 31.ª edição, promovida pela ACIM – Associação de Cursos Internacionais de Música, reafirmando o seu papel enquanto referência nacional e internacional na formação e apresentação pianística. Sob direção artística da pianista Manuela Gouveia, fundadora da iniciativa e figura incontornável da pedagogia e da programação musical em Portugal, o festival volta a espalhar-se por Óbidos, Caldas da Rainha e Lisboa, reunindo artistas consagrados, jovens intérpretes e propostas multidisciplinares que expandem o universo do piano para além do recital tradicional.
O arranque da edição deste ano acontece a 26 de junho, no CCC Caldas da Rainha, com um concerto de abertura protagonizado pela Orquestra Gulbenkian, sob direção de José Eduardo Gomes, e pelo pianista russo-americano Boris Berman. O programa reúne duas obras maiores de Ludwig van Beethoven: o Concerto para Piano e Orquestra n.º 5, “Imperador”, e a emblemática Sinfonia n.º 5.
Entre os destaques da programação encontra-se a estreia mundial de Capriccio, de Sérgio Azevedo, integrada no concerto 100 Caminhos, a 10 de julho, na Igreja da Misericórdia de Óbidos. Interpretada por Diana Botelho Vieira e pelo quinteto de metais 100 Caminhos, a nova obra — escrita especificamente para esta formação — propõe um encontro singular entre piano e metais, inserido num percurso musical que atravessa o barroco, a criação contemporânea e referências ao universo do rock.
A dimensão internacional da SIPO volta também a afirmar-se através da presença de pianistas de reconhecido prestígio como Boris Berman, Wei-Yi Yang, Andrea Bonatta e James Giles, protagonistas de vários recitais ao longo do festival. Entre eles, destacam-se os programas dedicados a Franz Schubert, Mozart, Debussy, Schumann ou Prokofiev, apresentados em espaços emblemáticos como a Igreja da Misericórdia de Óbidos.
A diretora artística da SIPO, Manuela Gouveia, sobe ao palco no dia 27 de julho, acompanhada pelo violinista Eliseu Silva, para um recital inteiramente dedicado a Ludwig van Beethoven. O concerto, na Igreja da Misericórdia de Óbidos, reúne duas das mais marcantes sonatas para violino e piano do compositor — a Sonata n.º 8, op. 30 n.º 3, e a célebre Sonata n.º 9, op. 47, “Kreutzer” — numa interpretação que cruza virtuosismo, intensidade dramática e profundo diálogo camerístico.
No dia 24 de julho, o CCC Caldas da Rainha recebe um recital da mezzo-soprano Ana Rita Coelho — vencedora do primeiro prémio do Concurso Internacional de Ópera de Cascais — acompanhada ao piano por João Paulo Santos. O programa percorre a tradição da mélodie francesa através de obras de Liszt, Saint-Saëns, Debussy, Fauré e Ravel, estabelecendo pontes entre romantismo e impressionismo.
A programação estende-se igualmente às artes visuais e à reflexão musical. A exposição O TEMPO — Ciclos de Silêncio, de Rosa Maria, inaugura a 4 de julho na Casa da Barbacam, propondo um percurso contemplativo onde pintura e música dialogam através das ideias de pausa, ressonância e duração. Já a 29 de julho, o compositor e maestro Alexandre Delgado apresenta a conferência “Felizmente Há Luar”, dedicada ao seu percurso e pensamento composicional.
A vertente formativa permanece no centro da identidade da SIPO, através das masterclasses e dos concertos dos participantes e laureados. O Concerto dos Participantes SIPO 2026 – Prémio ACIM/Antena 2, a 2 de agosto, e os concertos dos laureados da edição anterior, apresentados em Lisboa, Óbidos e Caldas da Rainha, sublinham o compromisso continuado do festival com o desenvolvimento artístico e a valorização de novas gerações de intérpretes.
Com bilhete único de 15 euros para os concertos, a Semana Internacional de Piano de Óbidos volta a celebrar o piano enquanto território de encontro entre tradição e contemporaneidade, consolidando-se como um dos momentos culturais mais relevantes do verão português.