A taxa de risco de pobreza em Portugal diminuiu em 2025 para 15,4%, abaixo dos 16,6% registados no ano anterior, segundo o relatório “Portugal, Balanço Social 2025”, divulgado pela Nova SBE. Apesar da descida, o país continua a ter cerca de 1,66 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade económica.
A economista Susana Peralta, uma das autoras do estudo, considera que os dados refletem um desempenho positivo da economia portuguesa nos últimos anos, destacando que o crescimento tem chegado também às famílias mais desfavorecidas.
Ainda assim, a investigadora alerta que os números continuam preocupantes, sobretudo devido ao peso crescente das despesas essenciais. Muitas famílias pobres enfrentam dificuldades para suportar custos com habitação, alimentação e transportes, num contexto de nova subida dos preços.
Os desempregados continuam entre os grupos mais afetados pela pobreza. Em 2025, mais de 42% das pessoas sem emprego encontravam-se nessa situação, embora se tenha registado uma ligeira melhoria face ao ano anterior. Já entre as famílias monoparentais, a taxa agravou-se para 35,1%.
O relatório identifica também desigualdades entre homens e mulheres. As mulheres apresentavam uma taxa de risco de pobreza superior à dos homens, mantendo-se igualmente diferenças salariais significativas em todos os níveis de escolaridade.
Em média, uma mulher com ensino superior recebia apenas 72 cêntimos por cada euro ganho por um homem com a mesma formação académica. Nos níveis de escolaridade mais baixos, a diferença salarial era ainda mais acentuada.
Apesar da melhoria geral dos rendimentos familiares na última década, os indicadores de desigualdade continuam elevados. Os 10% mais ricos concentram rendimentos quase oito vezes superiores aos dos 10% mais pobres.
O estudo mostra ainda que a privação material continua a afetar sobretudo a população mais vulnerável. Muitas famílias pobres vivem em habitações degradadas, sobrelotadas ou com dificuldades em garantir condições básicas de conforto térmico. O acesso a cuidados de saúde, especialmente medicina dentária, permanece também limitado para uma parte significativa desta população.
As crianças e os idosos mantêm-se entre os grupos mais expostos ao risco de pobreza e exclusão social. Em Portugal, existem mais de 300 mil crianças pobres e mais de meio milhão de idosos em situação de vulnerabilidade económica.
Entre os principais problemas identificados estão as dificuldades em assegurar alimentação adequada, participação em atividades escolares e despesas inesperadas relacionadas com a habitação.
O relatório conclui que as transferências sociais continuam a ser fundamentais para evitar um agravamento da pobreza. Sem apoios sociais e pensões, a taxa de pobreza em Portugal seria substancialmente mais elevada.