As ruas de Vila Nova de Poiares acolheram, este domingo, a tradicional Procissão dos Passos, uma celebração característica do período da Quaresma que reuniu numerosos fiéis ao longo do percurso.
A iniciativa, que recria momentos da Paixão de Cristo, foi retomada há três anos depois de várias décadas sem se realizar, voltando a mobilizar a comunidade paroquial e várias instituições locais.
Em declarações à Beira Digital TV, o padre Orlando Guerra, da Unidade Pastoral de Poiares, explicou que esta procissão procura reviver um dos momentos centrais da fé cristã.
“Isto é a vivência daquilo que é central na nossa fé, porque é celebrar sempre a entrega de Cristo por nós, que por nós deu a sua vida e quis ir até ao fim”, afirmou.
Segundo o sacerdote, a Procissão dos Passos inspira-se na Via Dolorosa, em Jerusalém, caminho associado aos lugares por onde Jesus terá passado desde a condenação por Pôncio Pilatos até ao Calvário. Essa memória deu origem, ao longo dos séculos, à tradição da Via-Sacra e a celebrações populares como a que decorreu em Vila Nova de Poiares.
Apesar das ameaças de chuva, o tempo acabou por permitir a realização da procissão com grande participação popular. “É o terceiro ano consecutivo que fazemos. Depois de muitas décadas, já quase ninguém se lembrava de se fazer esta procissão. Retomámos há dois anos e, mesmo com ameaças de chuva, temos tido sempre esta graça muito grande de poder sair”, referiu Orlando Guerra.
A celebração integrou-se no tempo da Quaresma, que o sacerdote descreve como um período de recolhimento e preparação espiritual. “A Quaresma é sempre o grande retiro da Igreja. Inspiramo-nos nos 40 dias que Jesus passou no deserto, em oração e penitência. As nossas atitudes são essas mesmas: mais oração, jejum e esmola”, explicou.
A organização da procissão contou com a colaboração de diversos grupos da paróquia e entidades locais, incluindo a catequese, que participou na recriação de várias figuras da Paixão com representações ao vivo. Houve ainda apoio da Câmara Municipal, da filarmónica local, da Irmandade de Nossa Senhora das Necessidades, bem como de acólitos, coros e voluntários.
Entre os momentos mais marcantes da celebração, o padre destacou o encontro entre Nossa Senhora e Jesus durante o percurso. “Contemplar aquele momento do encontro entre a mãe e o filho é sempre muito impactante para qualquer pessoa”, disse.
O percurso deste ano teve algumas alterações devido aos estragos provocados pelo mau tempo na Capela de Nossa Senhora das Necessidades, o que levou a que parte da celebração decorresse na Igreja de Santo André.
Ainda assim, a procissão manteve o seu significado principal: recordar a Paixão de Cristo e convidar os fiéis a viver mais intensamente o espírito da Quaresma.