Coimbra permanece esta sexta-feira, 13 de fevereiro, em alerta máximo devido ao risco de cheia do rio Mondego, embora os dados mais recentes permitam encarar as próximas horas com prudente otimismo. A precipitação registada durante a madrugada ficou abaixo do inicialmente previsto e as descargas preventivas efetuadas nas barragens criaram margem adicional de segurança, concentrando-se agora o período mais sensível até cerca das 19h00, altura em que será feito um novo ponto de situação público.
A atualização surgiu após uma reunião técnica da Agência Portuguesa do Ambiente e um encontro no comando sub-regional de emergência e proteção civil, com a presença do Primeiro-Ministro, autarcas da região e várias entidades operacionais. A presidente da Câmara Municipal, Ana Abrunhosa, sublinhou que, apesar de a noite ter corrido “muito melhor do que o esperado”, o concelho continua sob vigilância reforçada. “A nossa expectativa é que o pior possa estar a passar, mas não podemos baixar a guarda”, afirmou, reforçando que as zonas evacuadas devem manter-se desocupadas: “Quem já foi evacuado não deve regressar a casa. Esta é ainda uma tarde de prevenção.” A autarca reconheceu os transtornos causados pelas medidas adotadas, mas defendeu a sua necessidade: “Causámos danos controlados para evitar danos maiores. Isto é proteção civil.”
Do ponto de vista técnico, o presidente da APA, José Pimenta Machado, explicou que a estratégia preventiva adotada desde janeiro foi decisiva. Descargas controladas nas barragens da Aguieira e das Fronhas permitiram aumentar a capacidade de encaixe e reduzir a quota da Aguieira, criando margem de segurança. Sem essa gestão, os caudais poderiam ter ultrapassado os 3.000 m³/s à chegada ao açude-ponte, com consequências muito mais graves para a cidade e o Baixo Mondego. Mantém-se o objetivo de não ultrapassar os 2.000 m³/s em Coimbra, valor considerado crítico para galgamentos urbanos. Está previsto um pico de afluência à Aguieira por volta das 17h00, associado à precipitação na Serra da Estrela, com pressão máxima até cerca das 19h00, existindo ainda margem temporal para atuação preventiva junto das populações se necessário.
O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, destacou que a gestão preventiva foi determinante e elogiou o trabalho das autoridades no terreno. “Todos têm dado o seu esforço e dedicação neste período muito exigente”, afirmou, garantindo que o Estado mantém meios mobilizados e que está em preparação um programa nacional de recuperação para apoiar famílias, empresas e agricultores afetados.
Apesar dos sinais encorajadores e da possibilidade de uma acalmia meteorológica a partir de sábado, as autoridades mantêm o nível máximo de vigilância até nova avaliação, insistindo que a prioridade absoluta continua a ser a salvaguarda de vidas humanas e o cumprimento rigoroso das indicações da proteção civil.