As primeiras quatro equipas da E-Redes começaram hoje a trabalhar especificamente na rede de baixa tensão em Soure, ou seja, na eletricidade que chega diretamente às casas. Segundo o presidente da Câmara, Rui Fernandes, esta é uma “grande novidade”, depois de os trabalhos se terem centrado, nos últimos dias, nas redes de alta e média tensão.
O autarca reconheceu o grande esforço da empresa para acelerar a reposição da energia, explicando que o concelho está, neste momento, praticamente a ser alimentado por geradores. Alertou ainda que pequenos danos em cabos podem provocar novas falhas de eletricidade, mesmo em zonas onde o serviço já tinha sido restabelecido.
Rui Fernandes apelou à paciência e compreensão da população, sublinhando que a destruição causada pela tempestade Kristin é muito extensa e dificulta uma intervenção rápida em todo o território.
No campo das telecomunicações, a situação é considerada mais estável graças ao fornecimento de energia, através de geradores da Câmara, a 10 torres de comunicações. Ainda assim, o autarca admite que vai demorar até que as comunicações estejam totalmente repostas nas casas, devido aos danos nos cabos.
Os prejuízos ainda não estão totalmente contabilizados, uma vez que só agora as equipas começaram a fazer o levantamento no terreno, mas todo o concelho foi afetado. Ao nível das infraestruturas públicas, apenas as piscinas municipais da vila de Soure escaparam sem danos. Todos os restantes equipamentos sofreram estragos, em maior ou menor grau.
Cerca de 60 pessoas foram realojadas, maioritariamente em casa de familiares e amigos. A Câmara Municipal realojou 10 pessoas e não dispõe de capacidade para acolher mais.
As empresas e o setor primário foram fortemente atingidos. As escolas reabriram hoje, permitindo o regresso às aulas em todo o concelho, embora com alguns condicionamentos, situação que ajudou a perceber melhor os danos existentes.
Ainda existem casos de pessoas sem água, uma vez que o abastecimento não depende apenas do Município de Soure e outros concelhos também foram afetados. No entanto, 95% da rede já se encontra reposta.
O presidente da Câmara alertou que a situação continua frágil, já que muitas reparações são provisórias. Rajadas de vento fortes ou chuva intensa podem provocar novos estragos. Para já, o objetivo tem sido “remediar”, enquanto não for possível fazer reparações definitivas.
Rui Fernandes destacou ainda a falta de telhas e lonas no município, essenciais para proteger habitações com coberturas danificadas. As lonas são vistas como uma solução temporária importante para evitar maiores prejuízos.
Desde a semana passada, nove pessoas morreram na sequência do mau tempo. Registaram-se mortes diretamente associadas à tempestade Kristin, uma vítima mortal na Marinha Grande e ainda três óbitos relacionados com quedas durante reparações de telhados ou intoxicação provocada por um gerador.
A tempestade causou destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e estruturas, cortes de estradas, perturbações nos transportes, encerramento de escolas e falhas de energia, água e comunicações. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos mais afetados.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo em 69 concelhos e anunciou um pacote de apoios que pode chegar aos 2,5 mil milhões de euros.