O Governo da Venezuela responsabilizou, este sábado, os Estados Unidos por vários ataques registados em Caracas e noutros estados do país, numa escalada de tensão que levou o presidente Nicolás Maduro a declarar o estado de emergência em todo o território nacional.
Múltiples explosiones y sobrevuelos de aeronaves sobre Caracas, Venezuela 🇻🇪pic.twitter.com/nw64Gox7Om— Manuel Lopez San Martin (@MLopezSanMartin) January 3, 2026
Segundo o executivo venezuelano, foram registadas ações hostis não só na capital, mas também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Em comunicado, o Governo afirmou rejeitar e denunciar aquilo que considera ser uma agressão militar por parte de Washington, acusando os EUA de procurarem apropriar-se de recursos estratégicos da Venezuela, como o petróleo e os minerais, com o objetivo de comprometer a independência política do país.
As autoridades venezuelanas alertam que estes acontecimentos representam uma ameaça à paz e à estabilidade internacionais, com particular impacto na América Latina e no Caribe, colocando em risco a vida de milhões de pessoas. Perante este cenário, Nicolás Maduro decretou o estado de emergência, justificando a medida com a necessidade de proteger os direitos da população, assegurar o funcionamento das instituições e iniciar uma resposta armada ao que classificou como agressão externa.
Na madrugada deste sábado, por volta das 2h locais (6h em Lisboa), foram ouvidas várias explosões em Caracas, acompanhadas por sons de aeronaves a baixa altitude. Pelo menos sete explosões levaram moradores de diferentes zonas da cidade a sair para a rua. Nas redes sociais circularam imagens de incêndios e colunas de fumo, embora não tenha sido possível confirmar com exatidão os locais atingidos, que aparentam situar-se nas zonas sul e leste da capital.
O contexto destes acontecimentos inclui declarações recentes do presidente norte-americano, Donald Trump, que nas últimas semanas intensificou a retórica contra o Governo venezuelano. Em dezembro, Trump afirmou que seria prudente Maduro abandonar o poder, numa altura em que os EUA reforçavam a pressão militar sobre o país. O líder norte-americano referiu ainda que operações para combater o narcotráfico poderiam ocorrer em qualquer local de onde provenham drogas, incluindo a Venezuela.
Na semana passada, Trump anunciou a destruição de uma zona de atracagem usada por embarcações alegadamente ligadas ao tráfico de droga, enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou que um míssil norte-americano terá atingido um alvo na região venezuelana de Alta Guajira, junto à fronteira com a Colômbia.
Já este sábado, Donald Trump declarou que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro e a sua mulher, retirando-os do país. A afirmação foi feita numa publicação na rede social Truth Social, na qual o presidente norte-americano garantiu que a operação foi bem-sucedida e realizada em conjunto com autoridades policiais dos EUA, prometendo mais detalhes numa conferência de imprensa marcada para mais tarde.