O homem suspeito de protagonizar um tiroteio na Universidade Brown, nos Estados Unidos, que resultou na morte de dois estudantes e deixou nove feridos, é também apontado pelas autoridades como responsável pelo homicídio de Nuno Loureiro, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ocorrido dias depois.
O suspeito foi identificado como Cláudio Valente, cidadão português de 48 anos e antigo estudante da Universidade Brown. Segundo as autoridades norte-americanas, o homem foi encontrado morto nas imediações de uma unidade de armazenamento, na posse de uma bolsa, duas armas de fogo e elementos considerados compatíveis com os locais dos crimes investigados.
De acordo com a procuradora federal para o Distrito de Massachusetts, Cláudio Valente terá matado o professor do MIT no dia 15 de dezembro, na residência da vítima, em Brookline. A informação foi confirmada numa conferência de imprensa realizada em Boston.
Cláudio Valente frequentou a Universidade Brown entre 2000 e 2001, integrado num programa de mestrado com doutoramento em Física, tendo abandonado formalmente o curso em 2003. As autoridades sublinham que não mantinha qualquer ligação ativa à instituição desde essa data. Antes disso, entre 1995 e 2000, frequentou em Portugal o mesmo curso universitário que Nuno Loureiro, no Instituto Superior Técnico.
No decurso da investigação, foi apurado que o suspeito recorreu à troca de matrículas do veículo que utilizava, numa tentativa de dificultar o trabalho das autoridades. O carro, um Nissan Sentra alugado em Boston, acabou por ser localizado em Salem, no estado de New Hampshire, após um sistema automático de leitura de matrículas sinalizar uma das chapas associadas ao automóvel. Registos financeiros confirmaram tratar-se de um veículo de aluguer, informação posteriormente validada pelo FBI.
As autoridades indicam ainda que Cláudio Valente utilizou uma carta de condução emitida no estado da Florida para alugar o automóvel e que o mesmo veículo foi associado tanto ao tiroteio na Universidade Brown como ao homicídio do professor do MIT. A polícia acredita que o suspeito terá atuado sozinho.
O avanço decisivo da investigação surgiu após a colaboração de um cidadão que forneceu informações consideradas cruciais. Essa comunicação permitiu às autoridades chegar ao veículo, identificar o suspeito e cruzar imagens do aluguer do carro com registos de videovigilância, que coincidem com a descrição do atirador e com a bolsa encontrada na sua posse.