A estrada intermunicipal entre Janeiro de Baixo (Pampilhosa da Serra) e Admoço (Oleiros), continua interditada após sucessivos deslizamentos de terras e pedras de grande dimensão, tendo sido obstruída com entulho pela Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra. A medida gerou descontentamento entre a população, mas o presidente da autarquia, Jorge Custódio, disse à Beira Digital TV que se tratou de uma decisão inevitável para salvaguardar vidas.
“A colocação do entulho é o que está mais visível nas notícias, mas esse foi apenas o último episódio de um longo semear de episódios”, explicou Jorge Custódio, referindo que a via já há muitos anos sofre “consecutivamente derrocadas de massas rochosas, de xisto, com algum volume”.
O autarca defende que a medida extrema teve como objetivo evitar acidentes: “A principal preocupação da Câmara Municipal foi de não criarmos nenhuma ratoeira. A nossa intenção principal foi evitar que alguém possa se ferir ou até morrer naquele local.”
Apesar de várias tentativas anteriores de interditar o acesso – através de sinalização, baias metálicas e separadores de betão –, estes obstáculos foram removidos por moradores durante a noite, segundo Jorge Custódio. “Ainda assim, durante a noite iam lá desviá-las. A colocação dos inertes já foi a última e derradeira tentativa”.
O presidente da Câmara evocou o caso de Borba, onde um desabamento provocou a morte de várias pessoas, para justificar a sua decisão: “Foi até ao dia em que lá morreu alguém e, obviamente, que agora as responsabilidades recaem sobre a câmara municipal. Não é isso que nós queremos.”
Sobre a resolução definitiva do problema, Jorge Custódio revela que já foram investidos cerca de 55 mil euros em estudos e projetos, mas a obra necessária está orçada em 1,2 milhões de euros. “É um volume significativo tanto para a Câmara da Pampilhosa como para a Câmara de Oleiros”, disse, acrescentando que têm solicitado apoio financeiro ao Governo. “Tivemos recentemente a visitar o local o Sr. Secretário de Estado do Ambiente percebeu a gravidade do problema”.
Aos comerciantes afetados pela interdição da via, o autarca assegura que a prioridade é a segurança: “Reconheço que é uma distância maior, mas não há distância que bata a segurança e a vida das pessoas.”
Jorge Custódio confirmou que tem mantido contacto próximo com o presidente da Câmara de Oleiros: “A preocupação do Senhor Presidente da Câmara de Oleiros é a mesma que a minha: não colocar em perigo a vida das pessoas e tentar arranjar meios financeiros para nos ajudar a suportar esta despesa o mais rápido possível.”
O município aguarda agora uma solução financeira que permita avançar com a reabilitação da estrada, cuja importância para a mobilidade local continua a ser reconhecida.