A passagem da tempestade KRISTIN deixou um rasto de destruição no concelho de Castanheira de Pera, obrigando à ativação do Plano Municipal de Emergência e à mobilização de vários meios de resposta desde o final de janeiro. O ponto de situação divulgado esta segunda-feira, 9 de fevereiro, indica que os efeitos do fenómeno foram sentidos em todo o território, com maior impacto na vila e nas aldeias situadas a sul.
Entre as principais consequências registadas estão a queda de árvores, danos em coberturas de edifícios, colapso de algumas estruturas e falhas significativas nas redes elétrica e de comunicações. Estas situações causaram constrangimentos na circulação rodoviária e levantaram preocupações ao nível da segurança de pessoas e bens.
A resposta no terreno envolveu uma operação conjunta entre o município, a Proteção Civil local, os Bombeiros Voluntários, a GNR e os sapadores municipais. No próprio dia 28 de janeiro foi possível garantir o acesso a todas as aldeias do concelho, após trabalhos intensivos de desobstrução de estradas e limpeza de áreas afetadas. Nesta fase foram mobilizados mais de três dezenas de operacionais, tendo as faixas de gestão de combustível existentes ajudado a reduzir o impacto dos estragos.
No setor habitacional, foram sinalizadas 525 casas com danos. Até agora, já foram realizadas intervenções em mais de uma centena de habitações, sobretudo através da reposição de telhas e colocação de lonas para proteção temporária. Para apoiar a população, foi criado um banco solidário de telhas no estaleiro municipal, permitindo o acesso gratuito a este material, bem como apoio logístico para transporte quando necessário.
Ao nível da rede elétrica, foram identificados danos em dezenas de infraestruturas de média tensão, enquanto os prejuízos na rede de baixa tensão ainda estão em avaliação. Durante vários dias, cerca de metade do concelho esteve sem eletricidade, situação que entretanto está praticamente resolvida, mantendo-se apenas falhas pontuais. Para garantir serviços essenciais, foram instalados geradores em instituições como a Cercicaper e o Centro de Saúde.
Para mitigar o impacto da falta de energia na população, o município implementou várias medidas de apoio, incluindo acesso a banhos quentes gratuitos no Pavilhão Municipal, disponibilização de espaços para carregamento de equipamentos e acesso à internet no quartel dos bombeiros e na Biblioteca Municipal, bem como soluções específicas para doentes dependentes de equipamentos médicos, nomeadamente através de apoio da Santa Casa da Misericórdia.
Apesar da dimensão dos estragos, não há registo de mortos nem feridos. A ação social acompanhou mais de três centenas de pessoas consideradas mais vulneráveis, incluindo desalojados, doentes com necessidades médicas específicas e famílias que receberam apoio alimentar e material essencial.
O município criou ainda uma equipa de trabalho para ajudar a população no levantamento de danos e nos pedidos de apoio, disponibilizando atendimento na Câmara Municipal e um serviço móvel que percorre as aldeias, facilitando o acesso aos serviços sociais.
As operações de recuperação continuam em várias frentes, nomeadamente nas áreas da habitação, energia, floresta e apoio social, mantendo-se as equipas no terreno para responder às necessidades ainda existentes.