PUB
Destaques

Tábua celebra os sabores da região na 37.ª edição da Feira do Queijo e Sabores da Beira

PUB
PUB

A 37.ª edição da Feira do Queijo e Sabores da Beira já abriu portas no Pavilhão Multiusos de Tábua, reunindo produtores de queijo, enchidos, mel, azeite, pão e vinho numa mostra que pretende afirmar a identidade rural do concelho e da região.

Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Cruz, destacou o percurso de crescimento do certame e deixou a ambição de continuar a inovar. “Estamos já a preparar a 40.ª edição, com algumas evoluções e novidades, nomeadamente o aumento do pavilhão para melhorar as condições de venda”, afirmou. O autarca sublinhou que o evento “é um hino ao mundo rural” e uma “compilação daquilo que é a região”, assumindo como missão criar condições para que o setor primário se mantenha sustentável ao longo do tempo.

Protocolos e apoios ao setor

Ao longo dos anos, têm sido estabelecidos protocolos com cooperativas e associações do setor, como a ANCOSE, com o objetivo de apoiar queijeiras e pastores, bem como facilitar processos de legalização e enquadramento legislativo das explorações.

O autarca reconheceu as dificuldades sentidas pelos produtores, defendendo que o futuro do setor depende de medidas concretas: “Se nada fizermos no presente, com certeza os resultados não serão diferentes no futuro”. Entre os apoios recentes, destacou a criação de um incentivo ao pastoreio extensivo, no valor de 30 milhões de euros, destinado a reforçar a viabilidade económica da atividade.

Questionado sobre como atrair jovens para uma profissão exigente, marcada pela ausência de fins de semana e rendimentos muitas vezes reduzidos, foi claro: “Só se consegue convencer os jovens se aquilo que for pago pelo leite e pelo queijo for compensador para o trabalho que vão ter”. Defendeu ainda a aposta na modernização tecnológica, apontando exemplos de automatização e melhoria de infraestruturas como forma de tornar a atividade mais atrativa.

Esperança e responsabilidade política

Presente na feira, o Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, manifestou “grande esperança” no futuro do setor, destacando a presença de jovens produtores e o papel da comunicação social regional na valorização do território. Sublinhou a importância do reforço de competências e recursos para os municípios do interior, no âmbito da nova Lei das Finanças Locais, para que possam responder às necessidades das populações.

“Vejo uma comunidade intermunicipal ao lado dos seus municípios, a CCDR presente e a autarquia empenhada em apoiar quem faz crescer o setor primário”, afirmou, assumindo o compromisso de ser porta-voz destes territórios junto do Governo.

Produtores enfrentam ano difícil

Entre os expositores, Ana Ferreira, queijeira, explicou que o seu percurso começou durante um estágio académico numa queijaria. Hoje, apresenta na feira queijo amanteigado e curado da Serra da Estrela, cuja produção pode demorar cerca de dois meses, desde a receção do leite até ao produto final.

Este ano, porém, tem sido particularmente desafiante: “Começámos com a situação da língua azul, que baixou muito a quantidade de leite e isso afeta muito a produção”, explicou. A produtora adquire leite de dois rebanhos da região, cumprindo o caderno de especificações da DOP Serra da Estrela. Ainda assim, sublinha a importância de certames como este: “É muito importante para podermos mostrar o nosso produto, explicar as diferenças e valorizar o queijo”.

Também Rodrigo Ferrão, jovem vendedor de enchidos e queijo da região de Oliveira do Hospital, realçou o peso da tradição familiar, com quase 50 anos de produção. “Andamos a percorrer o país e até já fomos a França mostrar os nossos produtos”, contou.

Para Rodrigo, a chave para cativar novos públicos passa pela experiência direta: “Acho que, acima de tudo, devem provar. A comida tradicional portuguesa é sempre boa e os jovens deviam conhecer mais a nossa cultura e a nossa culinária”.

Um certame com impacto económico

Para além da vertente cultural e identitária, a feira assume também uma dimensão económica relevante, com transações que envolvem milhares de euros e impacto direto nos produtores locais.

Entre queijos amanteigados, enchidos artesanais e vinhos da região, a Feira do Queijo e Sabores da Beira afirma-se, assim, como palco privilegiado de promoção dos produtos endógenos e como espaço de reflexão sobre o futuro do mundo rural no interior do país.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUB
Beira Digital

Recent Posts

Viseu recebe finais dos Campeonatos Nacionais Universitários com cerca de 1500 atletas

A cidade de Viseu acolhe esta sexta-feira, 17 de abril, o primeiro dia de finais…

7 horas ago

Góis recebe Torneio de Clubes Não Seniores de badminton com 215 atletas

A vila de Góis volta a acolher uma prova oficial da Federação Portuguesa de Badminton,…

7 horas ago

Coimbra abre Torreões do Jardim da Sereia ao público no Dia Internacional dos Monumentos

A Câmara Municipal de Coimbra assinala o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, no sábado,…

7 horas ago

“Viajar no Tempo” valoriza património ferroviário entre o Vouga e o Dão

O projeto “Viajar no Tempo – Ferrovia entre o Vouga e o Dão” foi apresentado…

7 horas ago

Comissão Diretiva do Centro 2030 concluída com entrada de nova vogal executiva

A Comissão Diretiva do Programa Regional do Centro (Centro 2030) ficou completa com a entrada…

7 horas ago

Cantanhede recebe sessão “Recordar São Carlos” sobre a história da ópera em Portugal

O auditório da Biblioteca Municipal de Cantanhede acolhe, este sábado, 18 de abril, às 16h00,…

7 horas ago
PUB

This website uses cookies.