Rui Fernandes tomou posse, esta quinta-feira, como presidente da Câmara de Soure, após a candidatura independente “Novo Ciclo” ter conquistado a maioria dos votos dos sourenses nas eleições autárquicas de 12 de outubro.
Numa cerimónia de tomada de posse que reuniu várias entidades, o agora presidente da câmara municipal de Soure afirmou que “não há democracia sem instituições, e a densidade da espessura institucional é a medida da riqueza de um país, de uma região ou de um território”.
No seu discurso, Rui Fernandes referiu que este novo ciclo será “uma obra colectiva que não procura glórias individuais, mas sim as alegrias do bem-comum”, sublinhando que a câmara municipal de Soure “terá uma voz e uma ação por este desejo de escala maior, por um caminho de metropolização e coesão territorial”.
Rui Fernandes aproveitou o momento para agradecer aos autarcas que cessaram funções e destacou que “é o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Soure nascido já em Democracia”. Por isso, “sente um dever reforçado de gratidão e agradecimento a todos os que nestes anos assumiram responsabilidades na condução das nossas autarquias”.
No que concerne à visão do seu mandato, o novo presidente apresentou três vetores centrais: método, desígnio e razão. Quanto ao método, defendeu que “o caminho em frente para Soure está nesta convergência de tempos e recursos, na necessidade de cruzar o melhor que aqui temos com a inovação, a excelência e a competência”.
Quanto ao desígnio, salientou que “todos aqueles que amam a nossa terra e as nossas gentes são convocados à mudança talvez a palavra que mais ouvimos durante a campanha eleitoral”. E, a propósito da razão, Rodrigues Fernandes evocou o tema “Strange Fruit” de Billie Holiday para afirmar que “a política em Soure tem sido uma árvore de ódio; é tempo de se converter num espaço de tolerância, de compreensão e de encontro com o outro”.
Ainda segundo as suas palavras, espera que os sourenses sejam “exigentes com a vossa câmara, mas venham-na construir connosco”.
Quebra do bipartidarismo em Soure
Este resultado representa uma viragem no panorama político local, uma vez que Rui Fernandes, como independente (movimento “Novo Ciclo”), sucede a Mário Jorge Nunes (PS) na presidência da câmara. A vitória do movimento independente significa que, em Soure, o tradicional domínio partidário foi quebrado, abrindo lugar a uma governação autárquica que se propõe mais abrangente e menos alinhada com os grandes partidos nacionais.
Recorde-se que nas eleições do dia 12 de Outubro de 2025, no concelho de Soure, o movimento independente, liderado por Rui Fernandes, obteve 4.063 votos, correspondendo a 37,87 % do total, resultando em três mandatos para a câmara.
O Partido Socialista (PS) ficou em segundo lugar com 3.629 votos (33,83 %) e também três mandatos.
A coligação Partido Social Democrata/CDS – Partido Popular/Iniciativa Liberal obteve 1.973 votos (18,39 %) e elegeu um mandato.