A Região de Coimbra passou a afirmar-se oficialmente como o maior destino de turismo náutico em Portugal, após a certificação da Estação Náutica da Região de Coimbra, atribuída esta quinta-feira numa cerimónia realizada na Praia Fluvial do Vimieiro, em Penacova. O projeto agrega 19 municípios e uma rede de 132 parceiros, assumindo-se como uma aposta estratégica no turismo sustentável e na economia azul.
NaEm declarações à Beira Digital TV, a presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, Helena Teodósio, destacou a diversidade territorial como um dos principais fatores para esta distinção. “Temos a felicidade de ter nestes 19 municípios da Região de Coimbra praias que vão das praias marítimas às praias do interior. Toda esta diversidade faz com que tenhamos realmente este estatuto da maior Estação Náutica do país, que hoje foi aqui certificada”, afirmou.
Helena Teodósio sublinhou ainda a importância do reconhecimento institucional, considerando que “é uma grande honra termos este momento, sobretudo porque o Governo deu este reconhecimento, estando aqui presente o seu secretário de Estado, e com entidades desde a CCDR ao Turismo de Portugal, passando pelos empresários”.
A Estação Náutica da Região de Coimbra envolve mais de uma centena de parceiros, para além dos municípios. Segundo a presidente da CIM, o sucesso do processo resulta de um trabalho continuado no terreno. “Se hoje estamos a ser certificados é porque, ao longo de todos estes anos, os municípios fizeram investimento, pensaram o que pretendiam em termos ambientais no seu território e trabalharam para criar espaços com qualidade”, referiu, deixando também uma palavra de reconhecimento “a todos os técnicos e profissionais dos municípios e da CIM que trabalham em prol deste grande projeto”.
A governança do modelo assenta numa estrutura polinucleada, organizada em três polos: o Polo da Costa Atlântica, coordenado pela Figueira da Foz; o Polo Mondego–Aguieira, coordenado por Mortágua; e o Polo do Pinhal Interior, coordenado pela Pampilhosa da Serra. Esta organização pretende garantir proximidade, eficiência e valorização das especificidades locais, num território que conjuga mais de 50 quilómetros de costa com uma vasta rede de águas interiores.
Para Helena Teodósio, a certificação traz também uma maior responsabilidade e novas oportunidades. “A partir de agora iremos continuar a investir, a requalificar e, com certeza, a alargar outro tipo de projetos neste sentido”, assegurou, acrescentando que esta dinâmica poderá refletir-se diretamente na economia local. “Acredito que a nossa restauração, a nossa hotelaria e o alojamento local irão aumentar a sua utilização e que novos empresários poderão querer investir nos nossos territórios.”
A responsável destacou ainda a conjugação entre turismo náutico, desporto, natureza, cultura e património. “Uma família que venha até nós pode conjugar perfeitamente a componente ambiental e desportiva com a parte cultural e patrimonial que existe nos municípios ao lado”, afirmou, salientando também a gastronomia e os vinhos da região como fatores de atratividade.
Questionada sobre a articulação entre os 19 municípios, Helena Teodósio defendeu que o projeto potencia cada concelho individualmente e, ao mesmo tempo, “potencia de forma global todo o nosso território”.
O secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, considerou a certificação da Estação Náutica da Região de Coimbra “um extraordinário exemplo” da aposta nacional na economia azul sustentável. “Esta estação, que envolve 19 municípios, passando pela costa atlântica, pelo Pinhal Interior e pela região do Mondego, reflete de forma muito fidedigna aquilo que é a aposta do Governo na promoção da economia azul sustentável”, afirmou.
Segundo o governante, trata-se de um modelo multidimensional. “Não é apenas pesca, não é apenas náutica de recreio. Envolve turismo, desportos náuticos, biotecnologia azul, tudo a trabalhar para o mesmo fim: a geração de riqueza a partir dos recursos naturais”, explicou.
Salvador Malheiro sublinhou ainda que Coimbra já é um destino turístico consolidado, mas que as estações náuticas funcionam como uma alavanca. “Tem sido uma forma de promover novas vertentes do turismo, por vezes pouco exploradas. Este é um projeto sustentado, bem planeado, com um modelo de governança fantástico e com tudo para correr bem”, frisou.
Sem avançar valores concretos de impacto económico, o secretário de Estado lembrou que “a economia azul em Portugal já representa mais de 4,5% do valor acrescentado bruto”, admitindo que, com a contabilização de novas dimensões associadas a projetos como este, esse peso possa crescer significativamente no futuro.
A cerimónia ficou ainda marcada pela apresentação de novas iniciativas complementares, como a integração da Estação Náutica da Figueira da Foz nos Caminhos de Santiago, uma proposta que Helena Teodósio saudou como “de grande interesse” e com potencial para beneficiar toda a Região de Coimbra.