A precipitação registada nos últimos dias em Portugal continental, associada às descargas efetuadas pelas barragens espanholas, provocou um aumento significativo dos caudais na maioria das bacias hidrográficas, elevando o risco de cheias e inundações em várias regiões do país.
De acordo com informação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a situação é particularmente preocupante na bacia do Tejo, onde, nas próximas 48 horas, os caudais deverão manter-se elevados, com tendência de subida significativa. Estes valores aproximam-se dos caudais de ponta associados a um período de retorno de 20 anos, sendo por isso expectáveis afetações relevantes a jusante.
Na bacia do Tejo, prevê-se a manutenção de caudais elevados no Zêzere, com tendência de subida, no Nabão, e ainda no rio Sorraia, onde é esperada uma subida significativa dos níveis de água.
Também noutras bacias hidrográficas se registam ou prevêem caudais elevados. No Minho e no Cávado, os níveis deverão manter-se elevados, enquanto no Lima se antecipa uma subida adicional. No Douro, os caudais vão continuar elevados, com tendência de subida, cenário semelhante ao previsto para o Mondego, o Vouga e o rio Águeda. Situação idêntica é esperada nos rios Lis, Sado e Guadiana, com efeitos já assinalados em Mértola e noutras localidades a jusante.
No sul do país, as ribeiras do Arade mantêm caudais elevados e, no conjunto das ribeiras do Algarve, poderá verificar-se uma subida significativa dos níveis de água.
Segundo a Proteção Civil, a manutenção da precipitação nos próximos dias poderá agravar o risco de cheias e inundações, potenciadas pelo transbordo do leito de rios e ribeiras e pela acumulação de águas pluviais em zonas urbanas, muitas vezes devido à obstrução dos sistemas de drenagem.
Entre os efeitos expectáveis estão ainda a saturação dos solos, a lenta descida das águas que afetam vias rodoviárias, a instabilidade de vertentes com possibilidade de deslizamentos e derrocadas, a formação de lençóis de água nas estradas e a eventual interdição de vias por submersão. A Proteção Civil alerta também para o risco de arrastamento de objetos e estruturas para a via pública, podendo provocar acidentes com veículos ou transeuntes.
Face a este cenário, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil recomenda a adoção de medidas preventivas, sobretudo nas zonas historicamente mais vulneráveis. Entre as principais orientações estão a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais, a remoção de objetos que possam ser arrastados, a evicção de atividades junto a linhas de água e o não atravessamento de zonas inundadas.
É ainda aconselhado evitar o estacionamento de veículos em áreas inundáveis, retirar animais, equipamentos e bens de zonas de risco, restringir a circulação de pessoas e viaturas nas áreas potencialmente afetadas e assegurar a correta fixação de estruturas soltas. A Proteção Civil apela igualmente à atenção redobrada junto de áreas arborizadas próximas de cursos de água, devido ao risco de queda de ramos ou árvores arrastados pelas cheias.
As autoridades recomendam que a população acompanhe as informações meteorológicas, os dados hidrológicos disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente e siga as indicações da Proteção Civil e das forças de segurança.