O Dia Nacional do Dador de Sangue celebra-se hoje, destacando a importância da doação de sangue para salvar vidas e combater a crescente escassez deste recurso essencial.
Jorge Tomaz, diretor do departamento de Imuno-hemoterapia da ULS Coimbra, explicou que qualquer pessoa saudável com mais de 18 anos e peso superior a 50 kg pode ser dadora. “Pode aparecer sem marcação ou, se preferir, marcar antecipadamente a sua dádiva. Estamos abertos todos os dias da semana, incluindo sábados e domingos”, afirmou.
A nível nacional, a quantidade de dadores tem vindo a diminuir, situação que preocupa os profissionais de saúde.
“Em Coimbra, seguimos a tendência nacional, mas temos registado uma redução menor do que noutros locais. Ainda assim, é essencial inverter esta situação para garantir que os hospitais têm os componentes necessários para os tratamentos”, referiu Jorge Tomaz.
Maria do Rosário, dadora há quase 41 anos, destacou que começou a doar sangue porque na altura os hospitais faziam recolhas de sangue periódicas e, desde então, nunca parou.
“Faço-o por uma questão de humanidade e solidariedade. Nos últimos anos, até tenho doado de seis em seis meses”, afirmou. A dadora desmistifica ainda alguns receios: “O processo é simples e indolor, comparável a uma vacina. Nunca gostei de agulhas, mas sempre fui bem tratada pelas equipas médicas. É um gesto pequeno que faz uma grande diferença.”
A escassez de sangue é mais acentuada em períodos de férias, quando há menor afluência às colheitas. “Muitos não têm o hábito de doar antes de saírem para férias, o que causa dificuldades. Devíamos sensibilizar mais as pessoas para essa necessidade”, explicou Jorge Tomás.
O sangue doado não serve apenas para transfusões diretas. Cada dádiva é fracionada em três componentes essenciais: os glóbulos vermelhos, fundamentais para tratar anemias e hemorragias graves; as plaquetas, indispensáveis para doentes oncológicos e cirúrgicos; e o plasma, utilizado no tratamento de diversas doenças e na produção de medicamentos.
“Dizemos que uma doação salva três vidas porque cada componente pode ser utilizado para diferentes pacientes conforme as necessidades médicas”, esclareceu o diretor.
Jorge Tomaz destaca a relevância do plasma, alertando para um problema a nível europeu: “O plasma é essencial não só para transfusões, mas também para a produção de medicamentos. Atualmente, a Europa tem um défice significativo e é dependente dos Estados Unidos. Precisamos de reforçar a recolha de plasma para garantirmos a nossa autonomia neste setor, o que também representa uma questão estratégica a nível de saúde pública.”
O presidente da associação de dadores de sangue de Coimbra e coordenador da gestão da dádiva de sangue da ULS Coimbra, José Mário Gama, reforçou a importância deste dia para reconhecer o papel dos dadores.
“Este é o momento de agradecer a todos os dadores que, regularmente, fazem a diferença. É um dia para lhes dizer ‘obrigado’ e para lembrar que a sua ação salva vidas diariamente”. Acrescentou ainda que, para atrair mais dadores, é essencial investir em ações de sensibilização nas escolas e faculdades, assim como na comunicação social.
Além disso, existem diferenças no número de dádivas permitidas entre homens e mulheres. “Os homens podem dar sangue a cada 90 dias, até quatro vezes por ano, enquanto as mulheres devem esperar 120 dias entre doações, podendo doar até três vezes por ano”, explicou José Mário Gama.
A mensagem do dia é clara: doar sangue é um ato de solidariedade simples, rápido e essencial para salvar vidas. Os serviços de colheita continuam a apelar à participação da população para garantir que há sempre sangue disponível para quem precisa.