O presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova afirmou, no sábado, no evento “ProAguas Autarcas”, que a imposição de tarifas pela ERSAR, além de não resolver o problema da escassez, “não é justo, não é aceitável”. Para Nuno Moita as características socioeconómicas das regiões são ignoradas, implicando um “aumento das tarifas para níveis socialmente incomportáveis, especialmente nos territórios de baixa densidade”.
O autarca participou no passado sábado, em representação da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), na sessão de debate e encerramento da 1.ª Edição do “ProAguas Autarcas – O Essencial dos Serviços de Águas para Autarcas”.
Perante uma plateia de cerca de três dezenas de participantes de 22 municípios, Nuno Moita apontou outros caminhos para enfrentar a ameaça, nomeadamente “apostar na eficiência hídrica e na redução de perdas, reabilitando e modernizando os sistemas”, “potenciar as disponibilidades de água com outras origens como a dessalinização e mecanismos mais flexíveis e expeditos para a reutilização das águas residuais tratadas para usos secundários”, defendendo ainda “um lógica de solidariedade entre sistemas para corrigir assimetrias” e o acesso sem restrições dos sistemas não agregados aos fundos comunitários para investimentos na melhoria das redes.
Durante o evento “ProAguas Autarcas – O Essencial dos Serviços de Águas para Autarcas”, em que foram discutidas as grandes questões do setor, foi reafirmada a necessidade de maior compromisso dos diversos atores envolvidos, promovendo articulação eficaz e sinergias. Nesse âmbito, foi afirmada a grande valia que seria o estabelecimento de um pacto de compromisso nacional pelos serviços de águas. Esse processo deveria envolver os órgãos políticos, como o Governo, Autarcas e Deputados, e também outros atores do setor, promovendo a discussão aberta com a sociedade.
Nuno Moita da Costa felicitou a organização por promover um programa de capacitação sobre um tema “urgente e inevitável” face aos problemas de escassez de água e dos desafios das alterações, em que “o papel dos municípios é central e crucial”, destacou o edil e membro do conselho diretivo da ANMP.
O evento, que contou ainda com a presença do Secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, foi promovido conjuntamente pela Fundação FEFAL e pela LIS-Water – Centro Internacional da Água de Lisboa, e decorreu em Coimbra.