A Escola de Coimbra, integrada no Instituto Miguel Torga e pertencente à Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, apresentou, esta quinta-feira, uma nova pós-graduação em Gestão Autárquica. Trata-se de uma oferta formativa que os responsáveis descrevem como “única no país” e adaptada aos desafios contemporâneos enfrentados pelos municípios.
O momento foi assinalado com uma sessão pública, justificada pelo Presidente da instituição, Manuel Castelo-Branco: “Para nós, este é um momento muito relevante, daí que quiséssemos publicamente fazer esta apresentação”. Sublinhou ainda a proximidade aos municípios proprietários da escola: “Sentimos o dever de permitir aos municípios uma formação de grande nível, atualizada sobre a gestão autárquica.”
A coordenação do curso está a cargo de João Paulo Barbosa de Melo, ex-presidente da Câmara Municipal de Coimbra e antigo dirigente do Centro de Estudos e Formação Autárquica (CEFA). A escolha traduz o compromisso com a qualidade: “Ter como coordenador o Dr. João Paulo Barbosa de Melo é uma alegria imensa. É alguém que alia profundo conhecimento académico à experiência autárquica real.”, disse Manuel Castelo-Branco.
João Paulo Barbosa de Melo reforçou que o programa foi pensado para responder às necessidades concretas das autarquias em 2025 e 2026: “Os tempos mudaram. Questões que há anos nos pareciam secundárias são hoje centrais. E outras que nem imaginávamos surgiram agora de forma incontornável.”
Entre os temas estruturantes, destaca-se a abordagem à inteligência artificial. O coordenador sublinhou que este não é um domínio apenas tecnológico: “A inteligência artificial é, antes de tudo, um problema de sociedade, de privacidade. Muitas autarquias não se apercebem dos riscos que já correm. Precisamos de gente preparada juridicamente, socialmente e economicamente para responder a estes desafios.”
O programa inclui ainda módulos sobre fundos comunitários, contratação pública — “hoje muito diferente do que há 10 anos”, afirmou —, planeamento urbanístico, mobilidade e transferência de competências entre Estado, municípios e freguesias.
Outro dos temas inovadores é a integração de migrantes. Segundo o ex-autarca, “há autarquias com centenas de migrantes em situações de mau acolhimento, quando temos em Portugal ótimos exemplos de como fazer melhor.” Para este módulo, conta com um antigo presidente de câmara amplamente reconhecido pelo seu trabalho nesta área.
A pós-graduação terá 150 horas, 15 módulos, com sessões presenciais às sextas-feiras, das 14h às 20h, permitindo a compatibilização com vida profissional e familiar. O preço final ainda não foi divulgado, mas a direção indica que rondará “mais de mil euros”, distribuídos ao longo de vários meses.
As candidaturas abrem na próxima terça-feira e a formação deverá iniciar-se na primavera de 2026, dependendo do número de inscritos. A coordenadora da Escola de Coimbra, Sara Lopes Borges, destacou que a oferta formativa é dinâmica: “O plano nunca está fechado. Esta pós-graduação será ajustada edição após edição, sempre atenta às necessidades do território.”
Quanto aos requisitos de admissão, haverá abertura a candidatos com experiência profissional relevante, mesmo que sem licenciatura completa. Conforme esclarecido na sessão: “A quem for útil a pós-graduação, estamos de portas abertas.”
Os responsáveis sublinharam ainda que esta nova oferta se integra numa estratégia mais ampla de diferenciação: cursos breves para autarquias e IPSS, MBAs e outras pós-graduações. “Não queremos ser uma escola estática. Estamos sempre a atualizar-nos e a responder ao presente”, afirmou o Presidente da instituição.
A aposta nesta pós-graduação é para continuar e evoluir: “Esta é uma edição piloto. Vamos aprender com os erros e com os êxitos. O objetivo é repetir e melhorar.”, sublinhou João Paulo Barbosa de Melo.
