A MAAVIM — Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões — voltou a alertar para a falta de respostas e apoios às populações afetadas pelos incêndios de outubro de 2017. A associação, que representa lesados de várias regiões, afirma que continuam por resolver problemas essenciais, apesar dos milhões investidos pelo Estado. A posição foi enviada à Beira Digital TV.
A associação recorda que um novo relatório da OCDE “confirma a total desorganização no combate aos incêndios”, sublinhando que, apesar dos erros identificados em 2017, “não se melhorou na proteção das populações”.
Segundo a MAAVIM, “continuamos com os mesmos problemas de há oito anos”, agravados pelo facto de terem sido gastos milhões de euros “e de as populações terem sido esquecidas”.
A organização critica a aplicação de fundos públicos em estudos, estruturas e plataformas, defendendo que esse investimento “deveria ser usado para os bombeiros fazerem prevenção e preparação do território durante todo o ano”. Para a MAAVIM, sem prevenção não é possível garantir um combate eficaz. “Os milhões desapareceram e os territórios continuam por limpar”, refere o comunicado.
A associação questiona ainda o destino dos financiamentos provenientes do FEDER e de programas do Estado, afirmando que não cabe aos cidadãos fiscalizar esses montantes: “Isso é responsabilidade do Estado.”
As autarquias também são alvo de críticas, por deixarem o território “sem acessibilidades, sem limpezas, sem bocas de incêndio”, o que, segundo a MAAVIM, demonstra “um total abandono da população e do território”, visível, afirma, nos incêndios mais recentes. A associação recorda que “ainda existem donativos por entregar nos municípios desde 2017”.
Entre as principais preocupações destacadas estão:
- Centenas de famílias ainda sem habitação ou com obras da CCDR-C por concluir;
- Agricultores e produtores florestais que não tiveram acesso a apoios, seja por falta de candidaturas adequadas ou por problemas de elegibilidade;
- Empresas que nunca receberam qualquer apoio, algumas das quais acabaram por encerrar.
A MAAVIM rejeita qualquer ideia de desigualdade no tratamento das vítimas: “Não somos portugueses de segunda. Continuamos abandonados.”
A associação conclui lembrando que, oito anos depois, “quem tinha, não tem; e quem não tinha, tem”, insistindo que “continuamos sem culpados”.