O Parlamento deu luz verde ao início do processo de requalificação e duplicação do IP3 entre Coimbra e Santa Comba Dão, garantindo desde já que a futura via não terá portagens. A decisão foi tomada durante a votação na especialidade do Orçamento do Estado para 2026.
A proposta, apresentada pelo PCP, acabou aprovada apesar da oposição do PSD e do CDS. A Iniciativa Liberal optou pela abstenção, enquanto os restantes partidos votaram a favor. Com esta decisão, a Infraestruturas de Portugal terá de apresentar até ao final do ano um plano técnico com o calendário previsto, o orçamento necessário e o modelo de contratação a seguir.
O IP3 é uma estrada central para as ligações entre o litoral e o interior do país. O troço entre Coimbra e Santa Comba Dão tem sido, ao longo dos anos, alvo de críticas devido aos elevados níveis de sinistralidade, resultado do perfil estreito, falta de separador central e coexistência de tráfego pesado e ligeiro. Autarcas da região têm insistido na urgência desta obra para melhorar a segurança e apoiar o desenvolvimento económico local.
Numa reunião em Viseu com autarcas da região, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, afirmou que o Governo quer fechar o traçado final até 15 de dezembro. O objetivo é que, até 2034, todo o IP3 tenha características equivalentes às de uma autoestrada.
Em análise estão duas hipóteses de ligação a Coimbra: uma conexão pela A13, com possível acesso por Penacova, ou uma alternativa pelo nó de Souselas. A escolha terá impacto no projeto, nos prazos de obra e na ligação com as principais vias nacionais.
A IP vai avaliar diferentes modelos de contratação, incluindo a possibilidade de parcerias público-privadas. Apesar disso, o Parlamento estabeleceu que, independentemente do modelo escolhido, não haverá cobrança de portagens na nova via. Para a região, esta garantia é essencial, porque o IP3 é uma ligação fundamental a serviços de saúde, ensino e emprego, além de ser uma via estratégica para a coesão entre litoral e interior.
Com a decisão tomada, segue-se uma fase técnica importante: apresentação do projeto pela IP ainda este ano, avaliação ambiental, eventuais expropriações e, mais tarde, abertura dos concursos públicos. A intervenção marcará uma mudança face às obras pontuais dos últimos anos e pretende transformar o IP3 numa infraestrutura moderna e segura, decisiva para o Centro do país.
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