O frio instalou-se e trouxe consigo um cenário mais típico da época: temperaturas baixas, queda de neve em vários pontos do país e avisos meteorológicos que condicionam a circulação, sobretudo nas zonas mais elevadas. Este fim de semana fica ainda marcado por um momento-chave do calendário astronómico — a entrada oficial do inverno.
O solstício de inverno ocorre no domingo, assinalando o início da estação mais fria do ano no Hemisfério Norte. Em Portugal continental e na Madeira, o fenómeno acontece pouco depois das 15 horas, enquanto nos Açores se verifica uma hora mais cedo. Este é o dia em que a duração da luz solar atinge o mínimo anual, resultando na noite mais longa e no dia mais curto.
Em termos práticos, isso traduz-se em menos de dez horas de claridade. No continente, o sol nasce já perto das oito da manhã e desaparece pouco depois das cinco da tarde, num dia que soma apenas cerca de nove horas e meia de luz. A partir daqui, apesar de o inverno estar apenas a começar, os dias vão, de forma gradual, tornar-se mais longos.
Enquanto isso, o mau tempo mantém-se como principal preocupação imediata. Vários distritos do território continental encontram-se sob aviso devido à queda de neve, situação que pode levar ao encerramento de estradas e dificultar deslocações. No litoral sul e em parte da região de Lisboa, a agitação marítima também motivou alertas, pelo menos até domingo ao final do dia. Quanto à quadra natalícia, a previsão aponta para alguma melhoria, embora os meteorologistas alertem para margens de incerteza.
Para além da vertente meteorológica, o solstício de inverno tem um significado científico bem definido. Este momento ocorre quando o eixo da Terra atinge a maior inclinação em relação ao Sol, fazendo com que os raios solares incidam de forma menos direta no Hemisfério Norte. O resultado é uma menor quantidade de luz e calor recebidos à superfície.
O termo “solstício” tem origem no latim e remete para a ideia de o Sol aparentar “parar” no céu, antes de inverter lentamente o seu percurso aparente. Este fenómeno acontece duas vezes por ano, marcando o início do inverno e do verão.
Ao longo da História, a noite mais longa do ano foi também carregada de simbolismo. Diversas civilizações atribuíram-lhe um valor espiritual e ritual, vendo neste momento um ponto de viragem: apesar da escuridão, iniciava-se o regresso progressivo da luz. Uma ideia que, ainda hoje, continua a dar ao solstício de inverno um significado que vai além da ciência e do clima.