A AESL – Associação Empresarial Serra da Lousã, que representa e apoia o tecido económico da Serra da Lousã e dos concelhos vizinhos, apresentou ao Governo uma proposta a integrar no Orçamento do Estado de 2026, com impacto direto na revitalização das regiões do Interior.
Em nota enviada à Beira Digital TV, a associação defende o aumento para 50% da dedução, em sede de IRS, do IVA suportado em despesas de restauração, alojamento e animação turística realizadas em todos os concelhos do Interior de Portugal.
Atualmente, a dedução corresponde a 15% do IVA suportado nestas despesas em todo o território nacional. Para a AESL, o reforço para 50% seria uma medida justa a considerar nos próximos orçamentos, tendo em conta que os incêndios são uma “ferida aberta que atravessa todo o Interior”. Ano após ano, as chamas destroem florestas, explorações agrícolas, casas e negócios, deixando paisagens negras, economias paralisadas e populações fragilizadas.
Segundo Carlos Alves, presidente da AESL, esta proposta teria efeitos imediatos e estruturantes, nomeadamente a atração de mais visitantes para o Interior, o reforço de setores como a restauração, o turismo e a cultura, e a criação de um sinal claro de compromisso do Governo, demonstrando que a coesão territorial deve traduzir-se em ação concreta. “Esta majoração fiscal é um incentivo diário para escolher o Interior. Precisamos de transformar o Interior numa escolha positiva, associada à qualidade da nossa gastronomia, à riqueza do nosso património e à força das nossas comunidades. Não podemos permitir que o Interior esteja na ordem do dia apenas pelas tragédias. É tempo de o Interior ser notícia pelas boas razões”, afirmou.
A AESL acrescenta que esta medida deve ser acompanhada por campanhas nacionais de promoção da descoberta do Interior, incentivando cidadãos e turistas a visitar estas regiões. Paralelamente, propõe a criação de uma majoração fiscal em sede de IRC, dirigida a empresas que realizem novos investimentos no Interior ou que apoiem iniciativas de recuperação económica e social após incêndios.
Com esta proposta, a associação deixa um apelo claro: salvar o Interior é investir no futuro de Portugal, na coesão social, na valorização dos territórios e na recuperação económica pós-incêndios.