O conflito no Irão vai cobrar uma fatura alta aos condutores. Na próxima semana, os combustíveis vão registar subidas elevadas em Portugal.
Na semana de 9 a 15 de março, o preço do gasóleo irá aumentar 23 cêntimos por litro, o valor mais alto de sempre, enquanto a gasolina irá subir 7,5 cêntimos.
Atualmente, o gasóleo simples está a custar, em média, 1,634 euros por litro, enquanto a gasolina simples 95 apresenta um preço médio de 1,705 euros por litro, de acordo com os dados divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) no portal Preços dos Combustíveis Online.
Governo admite desconto extraordinário no ISP
Perante a possibilidade de aumentos significativos, o primeiro-ministro admitiu esta semana que o Governo poderá aplicar um desconto extraordinário e temporário no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP).
A posição foi avançada por Luís Montenegro durante o debate quinzenal no Parlamento, em resposta ao secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que questionou o executivo sobre as consequências económicas da intervenção norte-americana e israelita no Irão.
O chefe do Governo afirmou que o conflito poderá ter impactos na economia portuguesa, incluindo na evolução dos preços dos combustíveis. Nesse contexto, explicou que, caso se verifique uma subida superior a 10 cêntimos por litro face aos valores desta semana, o Governo avançará com uma medida para compensar o aumento.
Segundo Luís Montenegro, o objetivo é introduzir um desconto no ISP que compense o acréscimo de receita de IVA resultante da subida dos preços. “Por esta forma, devolve-se todo esse adicional às portuguesas e aos portugueses e às empresas”, afirmou.
Tensões no Médio Oriente pressionam mercado do petróleo
A subida dos preços está também relacionada com o agravamento da situação no Médio Oriente. O Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas em vários países da região, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.
O Estreito de Ormuz é considerado a principal rota marítima de transporte de petróleo e gás do mundo. De acordo com a Administração de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA), cerca de um em cada cinco barris de petróleo comercializados globalmente passa por esta via.
Qualquer interrupção nesta rota estratégica tem impacto imediato nos mercados energéticos e, consequentemente, na economia mundial.
Desde o início do conflito, já foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.