A mobilidade no acesso ao Ensino Superior continua fortemente condicionada pela região de origem e pela situação económica das famílias. A conclusão é de um estudo do Centro de Reflexão da Fundação Belmiro de Azevedo (Edulog), que analisou dados da última década e identificou dificuldades persistentes, sobretudo para alunos do Interior e com menos recursos.
A investigação, intitulada “Desigualdades Regionais e Mobilidade de Estudantes no Acesso ao Ensino Superior”, mostra que os estudantes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto tendem a ser mais sensíveis à distância. Beneficiam de uma rede alargada de instituições próximas, o que reduz a necessidade de deslocação.
Já os alunos do Interior revelam menor sensibilidade à distância, uma vez que prosseguir estudos superiores implica, na maioria dos casos, mudar de residência.
Em declarações ao Diário de Notícias, Rui Tomás, secretário-geral do Instituto Piaget, defende que o problema vai além da educação. Segundo o responsável, as desigualdades são também territoriais, económicas e demográficas. Sublinha ainda que os custos para estes estudantes não se limitam às propinas, incluindo despesas com alojamento, transportes e a necessidade de conciliar trabalho e estudo.
O estudo baseou-se em dados de cerca de 724 mil diplomados do ensino secundário, entre 2013 e 2023, e revela uma forte concentração no litoral, especialmente entre a Península de Setúbal e Viana do Castelo. Lisboa (7,9%), Porto (4,8%), Sintra (2,8%), Braga (2,8%) e Cascais (2,3%) concentram, em conjunto, cerca de um quinto dos diplomados. Em contraste, 19 dos 278 municípios do continente não registaram qualquer diplomado neste período.
Nas regiões do Alentejo e do Algarve, a menor concentração de diplomados poderá estar ligada ao envelhecimento da população. Rui Tomás considera que o país se tornou mais assimétrico, com emprego qualificado e oportunidades concentradas em determinadas zonas, criando um ciclo difícil de inverter.
No caso específico do curso de Medicina, o estudo indica que os estudantes demonstram menor sensibilidade à distância. Por ser um curso altamente seletivo e prestigiado, a localização perde importância, enquanto os fatores socioeconómicos ganham maior peso.
Para reduzir as desigualdades, os investigadores defendem apoios diferenciados à mobilidade, reforço de bolsas de deslocação e residência para estudantes do Interior, bem como mais apoios ao transporte e alojamento. Propõem ainda o fortalecimento da oferta de Ensino Superior nas regiões do Interior.
Rui Tomás sustenta que a solução passa por uma estratégia territorial que promova a coesão e valorize as instituições fora dos grandes centros, reforçando a oferta formativa e incentivando a fixação de talento nas regiões mais afetadas.
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