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Em Óbidos o Festival Latitudes afirma-se como espaço de encontro entre leitura, viagem e pensamento

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O Festival Latitudes – Literatura e Viajantes arrancou esta quinta-feira, reunindo, até domingo, mais de 25 autores nacionais e internacionais e cerca de 60 iniciativas que cruzam literatura, artes e reflexão contemporânea.

Promovido pelo Município de Óbidos, em parceria com a Óbidos Criativa e a Ler Devagar, e de regresso com a curadoria de José Luís Peixoto, o Latitudes, que este ano se desenvolve sob o conceito de “aeroporto literário”, propõe uma experiência imersiva, onde a literatura é simultaneamente ponto de partida e lugar de regresso, um convite a viajar sem sair do lugar.

Na sua intervenção de abertura do festival – depois de uma paragem por alguns dos pontos-chave da programação – Filipe Daniel, presidente da Câmara Municipal de Óbidos, destacou a relevância do evento, reflexo da aposta estratégica do concelho, na área da cultura.

“Óbidos volta a afirmar-se como um lugar de encontro, de pensamento e de abertura ao mundo. E isso não
acontece por acaso. Acontece porque este concelho fez, ao longo dos anos, uma escolha clara. A de assumir
a cultura como um eixo estratégico da sua identidade, da sua coesão e do seu desenvolvimento”.
Ao longo do seu discurso, Filipe Daniel salientou ainda a dimensão pública do Latitudes. “Nesta edição, a
imagem de um aeroporto literário é particularmente feliz. Porque traduz bem aquilo que aqui se pretende.
Fazer de Óbidos um ponto de partida. Um lugar onde se chega para escutar, para pensar, para dialogar e
para partir, simbolicamente, para outras geografias, outras culturas e outras perspetivas. Mas há aqui uma
ideia que importa sublinhar. Esta viagem não é apenas literária. É também cívica, educativa e territorial”,
apontou.

“Quando um festival como este sai dos espaços centrais e se estende às freguesias, às escolas, à comunidade e ao concelho, o que está a fazer é a cumprir uma missão pública. Está a democratizar o acesso à cultura. Está a formar públicos. Está a aproximar pessoas. Está a dar sentido a uma política cultural que não se esgota no cartaz, nem no evento”.

Ricardo Duque, vereador com o pelouro da Cultura, destacou, por seu turno, o carácter multidisciplinar e imersivo do evento, que “tem a capacidade rara de nos pôr em movimento, de nos tirar do lugar habitual, de nos fazer escutar outras vozes, conhecer outras realidades, de descobrir outras paisagens humanas e culturais”. Tudo isto “através dos livros, das conversas, das imagens, da música, das performances artísticas, e das muitas experiências que compõem esta programação”, uma programação que, para Ricardo Duque, “confirma a dimensão e a ambição deste festival, que se afirma, ano após ano, como uma referência maior da programação cultural de Óbidos e do panorama literário nacional”.Um aeroporto literário “com passaporte e passageiros”

Presente na sessão de arranque do Latitudes, José Luís Peixoto não poupou elogios à edição deste ano do festival, que se quis “mais atraente e mais comunicante”. “Mais uma edição do Latitudes, já seria de celebrar e de saudar, mas esta não é mais uma edição”. “Este ano temos um Latitudes que nos faz imaginar um aeroporto, com passaportes e, claro, com passageiros. Os aeroportos – como todos sabemos – são lugares onde se cruzam pessoas de múltiplas origens e é isso que queremos que aconteça também aqui. Pessoas de todas as idades, com todos os interesses, chamadas pelos livros, pelas viagens, pela cultura, apelos que requerem curiosidade, vontade de conhecer o outro e vontade de nos conhecermos a nos próprios. E o Latitudes é isso, a meu ver”. Um evento que pretende “ir ao encontro dos outros para ganhar novas perspetivas, inclusivamente sobre nós próprios”, e que se desenrola num lugar “que nunca terminaremos de visitar e onde continuaremos sempre a regressar”.

Recorde-se que, até domingo, 19, o programa do Latitudes inclui mais conversas, apresentações, oficinas, exposições, concertos e performances, distribuídas por vários espaços da vila. Entre os destaques estão as exposições de Ana Rita Manique, João da Silva, João Martins Pereira e de João Porfírio, bem como uma mostra dedicada a Nadir Afonso. A programação musical conta com as atuações de Fogo Fogo, Kumpania Algazarra, entre outros.

O festival Latitudes reforça a posição de Óbidos enquanto Vila Literária e Cidade Criativa da UNESCO, apostando numa programação regular e numa política cultural com impacto no território. É promovido pelo Município de Óbidos, em parceria com a Óbidos Criativa e a Ler Devagar.

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